Caw I go to Dallas? – Por Lucas “Bertu”

Olá!

 

No último domingo participei do campeonato GP Travel, em São José dos Campos. Se não me engano, foi o maior torneio já realizado fora de uma capital, com 120 jogadores. O sucesso no número de participantes com certeza estimulará outras lojas a organizarem campeonatos fora do calendário oficial da Wizards, reforçando uma tendência que já vinha desde o nacional Legacy.

 

Com campeonatos independentes, PTQs dando passagens aéreas e o MOL, é um bom momento para ser jogador de Magic no Brasil.

 

Infelizmente para mim, o formato era o Standard, ou Tipo 2, que eu havia deixado de lado para treinar Extended e Selado para os PTQs. Sem conhecer o ambiente e sem tempo para treinar, eu não tinha muita base para escolher meu deck. Acabei optando pelo deck que ia mais Planeswalkers: o UW caw-go, originalmente feito por Akira Asahara e que ganhou popularidade com Brian Kibler e Brad Nelson.

 

 

4 Squadron Hawk

4 Spreading Seas

1 Deprive

2 Mana Leak

4 Spell Pierce

2 Stoic Rebuttal

2 Elspeth Tirel

3 Gideon Jura

4 Jace, the Mind Sculptor

4 Day of Judgment

4 Preordain

4 Island

4 Plains

1 Arid Mesa

4 Celestial Colonnade

4 Glacial Fortress

2 Scalding Tarn

4 Seachrome Coast

3 Tectonic Edge

 

Sideboard:

1 Sunblast Angel

2 Journey to Nowhere

3 Celestial Purge

4 Condemn

1 Deprive

2 Flashfreeze

1 Jace Beleren

1 Tectonic Edge

 

 

Nos últimos anos, eu venho me forçando a jogar com decks de “controle”. É claro que eu jamais deixaria escolher um deck “agressivo” se eu achasse que ele teria mais chances de vitória, mas quando eu estou em dúvida ou não tenho informações para concluir qual deck é melhor, eu escolho o controle.

Agressivo eu?

Isso pode parecer contraditório, porque os meus melhores resultados no magic foram jogando com decks “agressivos” – eu me sinto à vontade com decks assim, e o fato de jogar muito Limited me ajudou a entender as artimanhas da fase de combate.

 

No entanto, eu acho muito dificil um deck agressivo se dar bem em um ambiente maduro, como o Standard atual. Se todos os outros decks já sabem qual é o seu plano, eles também já sabem como responder. É claro que essa afirmação também vale para os controles, mas a verdade é que muito mais difícil combater Jace e Titans do que Viscera Seer e Plated Geopede. Um deck agressivo precisa inovar para ser bem sucedido, apresentando armas que os outros decks não estavam preparados para lidar – só assim que cartas com um nível de poder menor podem desequilibrar um jogo.

 

Outro ponto é que os mirrors de decks agressivos costumam ser decididos por escolhas feitas na montagem dos decks, e nem tanto pelas escolhas que acontecem depois que a partida se inicia, que são poucas. Ou seja, como as decisões durante o jogo são mais simples, as oportunidades para desequilibrar o matchup recaem na hora de achar um plano diferente de sideboard, por exemplo. Mas por desconhecer o atual Standard, eu não tinha condições de achar o Rumbling Slum ou o Ranger of Eos do formato.

 

Por outro lado, os mirrors de controle são decididos em maior parte pelas decisões feias após o início da partida. Em jogos longos e com muitas opções, a margem para erro é maior. Assim, eu achava que poderia levar vantagem contra oponentes menos experientes se eu mantivesse a calma em jogos com muitos turnos.

 

Os controles são mais seguros...

Esses são os motivos aparentemente racionais que eu digo para mim mesmo para justificar jogar de controle. Talvez o motivo verdadeiro seja porque eu joguei errado nas quartas-de-final do brasileiro de 2004, ou nunca tenha ganhado nada usando Ilhas ou porque fiquei deslumbrado assistindo o Kenji Tsumura jogando de Tog no mundial de 2005.

 

Fazer o que? Eu tenho um ídolo para copiar e ele ativa Tampo de Sensei e usa cinco criaturas no deck.

 

O que eu não previ – e isso foi um erro – é que o fator tempo viraria um problema. Entre Jaces, fetchlands, ativações de Squadron Haws, Cultivates, Summoning Trap e Rampant Growths, as partidas irl demoravam muito mais que as do mol, e 50 min não era um tempo razoável para se jogar 3 games completos. Tanto que as minhas cinco primeiras rodadas no campeonato acabaram com o relógio tocando. Eu com certeza joguei pior do que o normal na pressa de querer encerrar logo os jogos.

 

Além disso, alguns jogadores são mecanicamente lentos. É o típico caso do jogador que não compra a carta do turno – ele separa a carta do topo do deck, arrasta lentamente pela mesa, olha a pontinha, abaixa de novo, e finalmente ergue a carta. Cada topdeck é uma nova emoção. Geralmente é o mesmo jogador que desvira individualmente cada um dos terrenos, tira e põe a tampa da caneta cada vez que vai anotar o dano, gira oito vezes o dado até achar o número certo… esses segundos a mais vão se acumulando ao longo dos turnos, e é muito difícil chamar um juiz para fazer qualquer coisa. Vou falar o que, “o meu oponente demora 5s a mais que o necessário para comprar uma carta”?

 

eu adoro meu pc...

O Mol tá me deixando mimado.

 

Acabei fazendo 2-2-1 no torneio antes de dropar, ganhando de WW Quest e UB, perdendo de mirror e Valakut, e empatando com outro UB. É um resultado ruim, mas não é um que eu tenha do que reclamar. Os jogos em que eu perdi foram apertados, em que com um pouco mais de sorte eu teria ganho. Dia normal. Eu joguei um campeonato sem conhecer o formato, pegando uma lista padrão da internet, e jogando contra outras pessoas que também estavam com listas padrão – quando isso acontece, você está à mercê da variância. Nessas condições, não é possível ganhar todos os jogos no braço contra oponentes bons (como os que eu enfrentei), especialmente quando eu não estou jogando o meu melhor.

 

UW caw-go é um bom deck, assim como os outros decks do formato também pareceram bons. Também é um deck bastante popular – apareceu em números maiores do que eu esperava, o que me fez pensar sobre o mirror ao longo do dia.

 

No mirror, Squadron Hawk é importante. Com vantagem de Hawk na mesa, o oponente não pode fazer o Planeswalker dele com tranqüilidade, e também não pode atacar os seus com uma Celestial Collonade. Como Hawk é importante, estar no play também é relevante. No play, você pode fazer o primeiro Hawk e buscar outros 2 sem precisar descartar, enquanto quem está no draw só pode buscar 1 Hawk até ter 7 na mão (considerando não existirem mulligans). Isso significa que você pode resolver o segundo Hawk sem tanto medo de levar counter e ter a cadeia de Hakws interrompida.

 

Outra vantagem de estar no play é poder fazer a seguinte jogada, que eu roubei do PV jogando de fadas: em uma mão com Squadron Hawk, Mana Leak e Spell Pierce, você desce o segundo terreno e passa sem fazer o Hawk. Se o oponente tentar o Hawk no segundo turno dele, você anula com Mana Leak, e depois desce o seu Hawk, ficando com uma vantagem significativa. Se ele não anular, você pode fazer o seu Hawk no seu terceiro turno com Spell Pierce de backup. Também dá pra tentar essa jogada sem o Spell Pierce, mas o risco é maior.

 

Essas situações não são tão comuns, mas são algumas das formas de se ter vantagem no mirror. O resto do tempo é um jogo de paciência: continue descendo terrenos até poder fazer Jace com mana para anulação. Como é muito arriscado descer uma Jace de turno 4, não há problemas em ficar com uma mão inicial com 6 terrenos e 1 mana leak, por exemplo, já que você terá tempo para achar cartas que façam alguma coisa.

 

Eu acho que não compensa gastar as anulações em Preordain e Spreading Seas, a menos que você tenha mais anulações na mão e perceba que o oponente está zicado de terrenos. Em um dos jogos do campeonato, eu anulei um Preordain porque o tempo estava acabando e valia a pena arriscar que ele estaria zicado, já que eu não conseguiria matá-lo em um jogo longo. Geralmente é melhor guardar as Spreading Seas para as Celestial Collonade, mas compensa gastar uma Seas em outra coisa se isso significar uma chance a mais de comprar um terreno para descer no seu turno, até porque Deprive deixa a Seas pior mais tarde no jogo.

 

Como a maioria das pessoas está jogando com a lista padrão de Caw-go e tiram todos ou quase todos os Day of Judgement pos-side, uma forma de levar vantagem no mirror seria usar mais criaturas no sideboard, como Coralhelm Commander e Sun Titan. Com certeza é um plano que eu testaria se eu tivesse mais tempo antes do campeonato e soubesse que apareceriam tantos mirrors.

 

Contra UB, o modo de jogar também é parecido, com a diferença de que Day of Judgement é boa pos-sideboard (eu tiro apenas uma), Squadron Hawk é melhor ainda, e que você não deve segurar tanto as cartas na mão por causa dos descartes. Uma possível adição contra UB é Devout Lightcaster – mata o Vampire Nighthawk que estaria bloqueando os seus Hawks, mata o Grave Titan, ao mesmo tempo que é uma criatura imortal para atacar os Planeswalker deles.

 

O plano contra decks agressivos é bem objetivo: fique vivo, anule qualquer coisa quando possível (para não ficar atrás no tempo; raramente vale a pena esperar para usar a anulação em outra oportunidade, já que você quer se tapar a toda hora) e use os Hawks para proteger os Planeswalkers. O deck melhora bastante pos-sideboard, com a entrada de um monte de remoções. Para o game 1, é possível perder quando você compra muitos Counterspells. Por isso, é importante saber o deck do oponente para decidir seus mulligans (no mol é fácil, por causa dos replays). Uma coisa a se tomar cuidado é saber a hora de dar chump block com os seus Squadron Hawks, já que talvez você precise deles vivos no turno em que descer a Elspeth Tirel, para protegê-la.

 

Valakut também é outro matchup em que o plano é simples, se você souber o que fazer. O objetivo inicial é não deixá-los ficar com duas manas verdes. Eu anulo sempre as acelerações de começo de jogo, mas nem sempre anulo o Explore, e gasto os Spreading Seas nas fontes de mana verde. É claro que quando o oponente já tem duas florestas e um monte de mana, o plano muda e você precisa guardar as anulações e Seas para as bombas.

 

Outro detalhe interessante é que a habilidade +2 do Jace é muito boa contra o deck de Valakut, já que você pode manter os oponentes zicados da mana verde ou deixá-los sem comprar as bombas do deck, dependendo da situação – como o deck é divido em mana e bombas, sempre tem uma metade do deck que ele não vai querer comprar.

 

No entanto, as vezes é melhor usar antes a habilidade de compra da Jace quando a sua mão está fraca, principalmente se você tiver um efeito de embaralhar cartas inúteis. Nas vezes em que eu ativo o +2 do Jace e o oponente tem uma fetchland, eu nunca arrisco deixar uma carta boa no topo na esperança de enganar o oponente a embaralhar – o risco não compensa. Contra versões com Lotus Cobra, eu costumo sidear Journey to Nowhere para dentro do deck. Esse plano também é bom contra os decks RUG de aceleração e Titans.

 

Em geral, é assim que eu uso o sideboard:

 

Mirror

-4 Day of judgment, +1 Tectonic Edge, +1 Deprive, +1 Jace Beleren, +1 Sunblast Angel

 

UB

-1 Day of Judgment, -3 Gideon Jura, +1 Sunblast Angel, +1 Tectonic Edge, +1 Deprive, +1 Jace Beleren

 

Valakut

-4 Squadron Hawk, +1 Tectonic Edge, +1 Deprive, +2 Flashfreeze

 

Vampiros

-4 Spell Pierce, -2 Mana Leak, -2 Stoic Rebuttal, -1 Deprive, -1 Jace, the Mind Sculptor, +4 Condemn, +1 Sunblast Angel, +2 Journey to Nowher, +3 Celestial Purge

 

Quest

-4 Spell Pierce, -4 Spreading Seas, +4 Condemn, +1 Sunblast Angel, +2 Journey to Nowher, +1 Tectonic Edge (só para não ter riscos de zicar). Ainda não sei se é melhor deixar Spreading Seas ou as anulações pos-sb. Como o matchup já é bom, parece mais seguro ter as anulações do que tentar ganhar aleatoriamente com Spreading Seas. Contra a versão GW, Spreading Seas deve ser melhor.

 

Boros

-4 Spell Pierce, -4 Spreading Seas, -2 Stoic Rebuttal, -1 Deprive, +4 Condemn, +1 Sunblast Angel, +2 Journey to Nowher, +3 Celestial Purge, +1 Tectonic Edge

 

O ambiente Standard está prestes a sofrer mudanças com a chegada de Mirrodin Besieged. Novas estratégias surgirão e os decks existentes terão novas armas. UW caw-go é um deck bem versátil para se adaptar a quaisquer mudanças: o importante é o esqueleto de Jace, Preordain e Squadron Hawk. Os outros espaços são muito flexíveis. Por isso, acho o deck um bom ponto de partida para quem for se preparar para os regionais e quiser brigar por boosters no mol – desde que você tenha tempo.

 

Agora vou poder voltar a me dedicar a Extended. Vocês viram os resultados do GP: Atlanta? Combo e Fadas no topo, com 5-color control re-aparecendo e um monte de decks agressivos viáveis, mas longe de serem dominantes. Ótimo formato! Minha mão já tá coçando pra fazer Bitterblossom outra vez. O mais importante essa semana vai ser achar um jeito de quebrar o matchup contra RG Scapeshift. E ai alguém tem alguma ideia? Sou todo ouvidos! :D

 

Abs,

bertu

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Histórias Míticas – por Lucas “Bertu”

Oi!

O metagame extended está em evolução. Após o Mundial, o deck a ser batido era o 4 color control, que muitos pros usaram, e o deck de Wargate dos japoneses. Isso mudou rapidamente após o primeiro PTQ em 2 de janeiro, onde Fadas se mostrou dominante.

O resto do ambiente respondeu com o aumento do número de Junds (que finalmente encontraram uma lista boa, baseada na lista do Willy Edel), enquanto alguns monoReds começavam a aparecer. Isso ficou bem refletido no segundo PTQ do MOL, apesar do Fadas ainda ter ganho. No entanto, a grande novidade desse PTQ foi a lista de Naya do vice campeão, que inspirou alguns autores a voltarem a falar sobre o deck, aumentando a popularidades nos Daily Events. Ao mesmo tempo, saíram os resultados dos PTQs irl nos Estados Unidos, com decks agressivos levando as vagas.

Assim, o metagame antes do terceiro PTQ do MOL era Jund, Naya e Fadas como os três decks mais populares e um número crescente de MonoRerd, com os controles em números menores.

As listas abaixo mostram como eu esperava que cada um desses decks fossem montados:

Naya, por buuchan

Arid Mesa

Copperline Gorge

3  Forest

3  Mountain

1  Plains

Raging Ravine

Razorverge Thicket

Wooded Bastion

Birds of Paradise

Bloodbraid Elf

Boggart Ram-Gang

Fauna Shaman

Figure of Destiny

Noble Hierarch

Qasali Pridemage

Vengevine

Elspeth, Knight-Errant

Lightning Bolt

Path to Exile

Sideboard

Arc Trail

Great Sable Stag

Kitchen Finks

Linvala, Keeper of Silence

Nature’s Claim

Path to Exile

Jund, por Edel

Blackcleave Cliffs

3  Copperline Gorge

Fire-Lit Thicket

2  Forest

Graven Cairns

Lavaclaw Reaches

1  Mountain

4  Raging Ravine

Reflecting Pool

Savage Lands

1  Swamp

Twilight Mire

Verdant Catacombs

Anathemancer

4  Bloodbraid Elf

Demigod of Revenge

Fauna Shaman

Kitchen Finks

Putrid Leech

Shriekmaw

Blightning

4  Lightning Bolt

Maelstrom Pulse

Sideboard

Great Sable Stag

Terminate

Thoughtseize

Volcanic Fallout

Wurmcoil Engine

monoR, por _Ingles_

Arid Mesa

13  Mountain

Scalding Tarn

Teetering Peaks

Ball Lightning

Figure of Destiny

Goblin Guide

Hell’s Thunder

Hellspark Elemental

Burst Lightning

Flame Javelin

4  Lightning Bolt

Searing Blaze

3  Volcanic Fallout

Sideboard

Guttural Response

4 Leyline of Punishment

Magma Spray

Smash to Smithereens

1  Volcanic Fallout

Fadas, por LSV

4 Bitterblossom

4 Mistbind Clique

3 Vendilion Clique

3 Spellstutter Sprite

1 Wurmcoil Engine

4 Cryptic Command

3 Mana Leak

3 Thoughtseize

1 Inquisition of Kozilek

1 Jace, the Mind Sculptor

1 Jace Beleren

2 Doom Blade

2 Disfigure

1 Agony Warp

1 Smother

4 Secluded Glen

4 Mutavault

4 Darkslick Shores

3 Creeping Tar Pit

2 Sunken Ruins

3 Tectonic Edge

5 Island

1 Swamp

Sideboard

3 Wall of Tanglecord

2 Consuming Vapors

2 Ratchet Bomb

1 Wurmcoil Engine

1 Glen Elendra Archmage

1 Disfigure

1 Thoughtseize

1 Spell Pierce

1 Negate

1 Sower of Temptation

1 Deathmark

Esse é um ambiente bastante hostil para Fadas. Ainda que o deck tenha os recursos para ganhar dos decks agressivos, é estressante ter que enfrentar Bloodbraid Elf, Great Sable Stag e Volcanic Fallout todos os rounds. Fadas virou o caso clássico do deck que tem a placa de alvo em cima – os matchups bons desapareceram e todo mundo faz questão de querer ganhar de você.

O problema maior era que agora existia o Naya, para ser sincero. Contra Jund e MonoR eu tinha um plano muito bom pós-side: deixar o deck com 27 lands, 4 Wall of Tanglecord, 4 Wurmcoil Engine e alguns Skinrenders, com os 4 Disfigure já no maindeck. Mas Path to Exile deixa os Wurmcoil Engine inúteis, enquanto Elspeth, Ranger of Eos e o combo de Cunning Sparkmage + Basilisk Collar deixam as barreiras muito piores. Era muito dificil achar um plano de sideboard que funcionasse contra todos os decks agressivos ao mesmo tempo.

Apesar de eu estar satisfeito com o Fadas mesmo com essas dificuldades crescentes (muitas vezes o deck simplesmente ganha de qualquer adversidade), parecia a hora certa para buscar uma nova opção.

Mythic foi sempre um deck que despertou minha atenção desde que o eu li o report do mundial do Terry Soh (que fez 5-1), e o interesse ficou maior depois que eu fui eliminado por um Eldrazi Conscription no top8 do primeiro PTQ. Procurando listas dos Dailies, achei uma versão bem interessante do mesmo jogador que me eliminou (Celldweller aka Cedric Philips):

Celestial Colonnade

Flooded Grove

4  Forest

3  Island

Marsh Flats

4  Misty Rainforest

Murmuring Bosk

Mystic Gate

1  Plains

2  Razorverge Thicket

Sejiri Steppe

Verdant Catacombs

4  Birds of Paradise

Chameleon Colossus

Dauntless Escort

Knight of the Reliquary

Lotus Cobra

Noble Hierarch

Sovereigns of Lost Alara

2  Eldrazi Conscription

Jace, the Mind Sculptor

Mana Leak

Sideboard

Bant Charm

2  Chameleon Colossus

4  Great Sable Stag

4  Linvala, Keeper of Silence

2  Qasali Pridemage

Alguns jogos depois, conclui que Mythic era realmente bom contra Jund e Naya, trazendo esperança. O motivo é que o deck é mais explosivo que os Jund, então Fauna Shaman, Demigod of Revenge e Kitchen Finks não causam muito impacto. Jund tem que tentar assumir o papel de controle com as remoções para sobreviver, mas Jace the Mind Sculptor, Knight of the Reliquary, Chameleon Colossus, Dauntless Scort e Baneslayer Angel tornam isso muito difícil. Naya também enfrenta o mesmo problema, já que eles têm poucas formas de interromper o seu combo, que é mais rápido que o plano deles. O acesso a Linvala no sideboard é o trunfo contra a maioria das coisas que eles possam tentar fazer, no caso de Naya, enquanto Chameleon Colossus reforça contra Jund.

Já o matchup contra Fadas não era tão animador. Mesmo com acesso a Great Sable Stag e outros truques pos-sideboard, o primeiro game ainda era complicado. No total, acho o matchup aceitável, desde que o Fadas não use Sower of Temptation, o que não era muito comum de se ver no MOL.

O deck também era bom contra controle (mas não tão bom quanto fadas seria) e muito fraco contra monoR (tão ou mais fraco que o fadas seria).

Eu não consegui treinar contra outros decks populares, como Elfos, GW Trap e Wargate, mas não tenho a impressão que o confronto com um decks desses seja muito assustador.

No geral, Mythic parecia uma boa opção para o metagame esperado para o PTQ. Fora que é divertido mudar de deck de vez em quando. Eu usei uma lista muito próxima a do Celldweller, mas com uma Planicie no lugar de Marsh Flats e dois Baneslayer Angel no lugar dos Chameleon Colossus do maindeck.


As mudanças foram por que, com apenas uma planície no deck, o Marsh Flats muitas vezes fica inútil na mesa, como aconteceu com o Celldweller contra mim no top8 do primeiro PTQ do mol. Os Baneslayer Angel entraram para aumentar o número de cartas que ganham jogos sozinhos, aproveitando a aceleração. Assim, eu esperava diminuir um pouco o número de mãos que não fazem nada – Baneslayer sozinho de turno 3 é um bom plano contra decks agressivos.

Acompanhando os outros replays, vi que a previsão sobre o metagame foi próxima do real, mas o meu resultado não foi dos melhores. Terminei o PTQ 5-3, ganhando 5 matches contra Junds e Nayas, mas perdendo para monoR, Elfos e Allies (!). A derrota contra monoR era esperada, mas as outras duas foram em jogos que eu mulliguei bastante, comprei mal e perdi um turno antes de matar o oponente.

Seria simples culpar a falta de sorte por essas derrotas, mas a verdade é que Mythic é um deck inconsistente. É um risco calculado que se assume ao usar 25 lands e 12 criaturas de mana, e em campeonatos grandes você vai ter jogos em que perde para si mesmo quando dois terços do seu deck são cartas que não fazem absolutamente nada sozinhas.

A vantagem de Mythic sobre outros decks baseados em aceleração (como RG Scapeshift), é que, contra a maioria dos decks você pode “perder” alguns turnos esperando comprar Jace ou Sovereins enquanto segura a mesa com Knight, Dauntless Scort e Collonade.

No entanto, Elfos e Allies não são decks que te dão esse tempo e contornam bem as suas defesas. Isso por que a sua melhor ferramenta para estender o jogo costuma ser Mana Leak, que esses decks conseguem tornar irrelevante. Mythic é um deck que bloqueia bem uma ou duas criaturas por turno (como faz contra o Jund), mas não tem o que fazer contra um plano de infestar a mesa com muitas criaturas pequenas em um deck com pouca densidade de terrenos.

Além disso, o combo do deck nem sempre mata em um só ataque – geralmente você bate 16 de dano no turno em que desce o Sovereins. Contra decks muito mais rápidos que o seu, é difícil causar os outros 4 pontos de dano antes disso, e você morre na volta. Foi o que aconteceu comigo em três games.

É claro que como os Mythic tem mãos muito explosivas, ainda é perfeitamente possível ganhar de decks assim (White weenie é outro deck nesse estilo, por exemplo), mas no geral parecem matchups desfavoráveis.

O próximo passo sobre como reagir ao metagame é uma incógnita. Vou procurar corrigir os matchups ruins do Mythic, mas não vejo muitas saídas. Para ganhar de monoR eu precisaria de Wall of Omens e quatro de Kitchen Finks e Baneslayer Angel no maindeck, possivelmente com Leyline of Sanctity e Path to Exile no sideboard – e nem assim parece suficiente.

Contra os decks de bichinhos, com certeza precisaria de Day of Judgement, o que exigiria trocar a aceleração de Birds, Noble e Cobra por alguns Rampant Growth. Essas alterações deixariam o deck pior contra Jund e Naya e comeriam os espaços do sideboard necessários para se ter chance contra Fadas, então provavelmente não compense fazer essas alterações..

Por outro lado, é tentador jogar de UW control nesse ambiente e rezar para não enfrentar Fadas, como conseguiu o ganhador do terceiro PTQ do mol. Muita gente vai tentar esse caminho. Talvez seja melhor buscar um meio termo, com 5-color control com Volcanic Fallout e Great Sable Stag, um deck que ainda perde de Fadas, mas não tão horrivelemente como perde o UW control.

Olhando assim, parece que o ciclo do metagame está quase terminando de dar uma volta completa, com controle e combo provavelmente voltando a aparecer para ganharem dos decks agressivos. Resta torcer para que não demore muito para fadas voltar a ser o melhor deck outra vez.

O ponto bom de acompanhar essa evolução do metagame do mol é ir descobrindo opções para os PTQs irl do Brasil, que acontecerão no final de março. Com certeza terei Mythic em mente como uma opção viável. E vocês, o que andam pensando?

Abs,

Bertu

Eu usei uma lista muito próxima a do Celldweller, mas com uma Planicie no lugar de Marsh Flats e dois Baneslayer Angel no lugar dos Chameleon Colossus do maindeck.

E que venham os PTQs Nagoya Selados – por Lucas “Bertu”

Apesar de os PTQs “irl” (magic de papel) de selado de Cicatrizes de Mirrodin já terem acabado, a Wizards anunciou que os PTQs para Nagoya no MOl serão intercalados entre Extended (11 PTQs) e Selado (5 PTQs).
Então eu queria aproveitar para falar sobre algumas coisas que eu aprendi sobre esse formato e sobre deck Selado em geral (o meu formato favorito diga-se de passagem), que poderão ser úteis para quem quer jogar os PTQs/PEs (Premier Events) do MOL ou, quem sabe, para quem vai jogar os pre-releases de Mirrodin Sitiada.
Eu me dediquei BASTANTE a entender esse Selado de Cicatrizes. Apesar de ter sofrido muito no começo (inclusive ganhando menos de 50% dos jogos), acabei fazendo  top8 nos PTQs do mol e do RJ, além de outros quatro top16.
Aliás, isso é bem normal: no começo de qualquer formato eu experimento coisas diferentes (normalmente sem sucesso) enquanto aprendo sobre o que funciona. Nas últimas 6 semanas da temporada, eu já estava com uma media de vitórias em torno de 75-80%, que é o ideal para quem quer ir bem em PTQs (mas ganhar ou não o PTQ é algo que depende da variância).
Mesmo com suas particularidades, Cicatrizes não foge das duas grandes regras do selado:
a) Bombas ganham jogos. Remoções lidam com bombas. Logo, o melhor jogador é quem sabe guardar as remoções para as bombas do adversário e, ao mesmo tempo, sabe forçar o oponente a gastar remoção em cartas irrelevantes para que suas bombas sobrevivam.
b) É vantajoso ter o deck um pouco mais devagar do que o oponente. Se o seu deck for muito mais devagar, você vai ser atropelado; mas se for só um pouco mais devagar, as suas cartas, em media, vão ter um impacto maior que as do oponente.  Exemplo: se o oponente gasta três manas pra fazer uma criatura 2/2, e você gasta quatro manas para fazer uma 3/3, ambos terão gasto uma carta, só que a sua posição na mesa será melhor. Mas, se o oponente fizer três criaturas 2/1 enquanto você tá com as suas três criaturas de 7 manas 5/5 na mão, você perde.
Tendo esses dois pontos em mente, gostaria de compartilhar algumas observações sobre o que eu aprendi de Cicatrizes, para, depois, falar as ideias que eu tive sobre o que fazer a respeito delas:
– Existem muitas bombas no formato, e todo mundo vai conseguir jogar com 3-6 bombas por deck. É normal alguém usar todas as cores em que vierem as bombas coloridas e completar o resto com artefatos, resultando em um número maior de bombas por deck que os outros formatos.
– Pelo mesmo motivo, a maioria dos decks terão acesso a muita remoção. Logo, a batalha de “remoção x bombas” é ainda mais importante do que em outros formatos.
– Não é possível usar cartas que dependem de metalcraft (Maestria com Metais) com menos de 15 artefatos no deck, sendo 17 o número ideal.
– Existem muitas cartas defensivas boas, e as criaturas de custo 1-3 geralmente são menores do que em outros formatos, tornando dificil fazer um bom deck agressivo.
– É muito difícil matar uma criatura colorida e/ou com resistência maior que 2.
– Os decks usam entre 18-20 fontes de mana (o normal sendo 16 lands e 3 myr) e, como não existe scry nem cycling, é normal floodarem.
– Não existem muitas fontes de card advantage ou de seleção de compras.

E as conclusões:

– É MUITO importante guardar remoção para as bombas do adversário, que com certeza vão aparecer.
– Por esse motivo, Turn to Slag é uma das melhores comuns da edição, pois mata quase todos os dragões.
– Você precisa aprender quais são todas as raras da edição, por que elas sempre vão aparecer.
– Como todo mundo flooda e todo mundo tem bomba, é melhor, na dúvida, não gastar um Shatter em um Myr ou você vai perder para aquela Steel Hellkite mais tarde (mas é claro que existem exceções).
– Se você tiver as cartas certas (Wall of Tanglecord, Necropede, Perilous Myr, Myrs em geral), é recomendável começar no draw.
– Se você não tiver como aproveitar os Myr no final do jogo (como equipamentos, por exemplo), pode valer a pena jogar com 17 lands e 0 Myr, ou 16 lands e 2 Myr, para floodar menos.
Turn Aside e counterspells são cartas boas por que trocam com remoção e bombas do adversário.
O modo que eu costumo montar meus decks é escolher as cores que me dêem o maior número de bombas ou remoções. Eu evito cartas que dependam de metalcraft para ser boas (como Auriok Sunchacer) a não ser que eu tenha 17 artefatos. Também evito criaturas 2/1 ou 2/2 sem evasão, dando preferência a criaturas que bloqueiem bem para que eu não tenha que gastar remoção com os bichos pequenos do oponente. Presto atenção para usar criaturas que voam ou criaturas de 4 ou 5 manas que causem impacto na mesa, por que são essas cartas que forçam o oponente a gastar remoções. Tento montar meu deck de um jeito que eu tenho o máximo valor de cartas que podem fazer papel de remoção ou bombas nas circuntâncias certas, como Prototype Portal, Turn Aside, Stoic Rebuttal e Tower of Calamities. Dessa forma, eu tenho mais “bombas” que o oponente.
Durante as partidas, eu jogo em volta de tudo o que for possível, incluindo fazer as cartas em ordem diferente para não tomar Arc Trail ou atacar com mais criaturas para não perder pra Dispense Justice. Tem muitas cartas que ganham jogos sozinhas no formato, então você deve procurar minimizar os riscos, quando der.
Se possível, uso alguma carta de late-late-late game para ter inevitabilidade. Também procuro ter meios de usar minha mana no late game, como Trigon ou Tower of Calamity.
Aliás, Tower of Calamity é a carta que mais me ganhou jogos no formato até hoje. Não que ela tenha alguma coisa de especial, mas é que eu geralmente monto o meu deck de um jeito que ela seja a melhor possível. Ela é o exemplo do que os meus decks procuram fazer.
É claro que isso é como eu “costumo” montar os decks, mas não é como eu “sempre” faço. Apesar da maioria dos pools permitirem isso, em Selado você está preso a sorte dos boosters que abre. Mesmo assim, você precisa entender como é a média dos decks para saber como se adaptar: por exemplo, em um PTQ eu joguei com todos os 2-drop que eu tinha, porque o meu pool não dava outro plano de jogo. Isso me permitiu levar vantagem da opção que a maioria das pessoas fazem de começar no draw.
A minha parte favorita do Selado é achar interações entre as suas cartas que você possa explorar, e Cicatrizes é um formato cheio de “combos” escondidos. Talvez por isso que eu ainda não tenha enjoado: sempre aparece alguma situação nova para explorar.
Neste domingo (16/1) haverá um PTQ Selado de Cicatrizes do MOL. Se a zica deixar, usarei o pool que eu abrir e os meus jogos como exemplos de como eu ganhei a minha vaga. : D
Abs,
bertu

Report PTQ Nagoya Extended MOL – Lucas Berthoud

Lucas Berthoud

* Luca Berthoud é Campeão Nacional de Magic 2007.

Oi! Meu nome é Lucas Berthoud (mas sou mais conhecido por Bertu entre os jogadores de Magic) e já jogo há algum tempo. Depois de um ano bom até o meio de 2009, tive que deixar o jogo de lado para me dedicar a outras coisas. E Senti que meu nível de jogo piorou muito de lá para cá.

Depois de ter jogado muito mal no nacional desse ano, eu decidi que iria voltar a jogar Magic mais seriamente, focando mais em melhorar meu jogo do que em obter resultados. Nacional é um campeonato sentimentalmente importante pra mim, e fiquei chateado de não ter dado o meu melhor. Ainda tenho muitos pontos fracos a aprimorar, mas já estou me sentindo confiante novamente. Uma das coisas que me ajuda a pensar mais sobre os meus erros é escrever sobre Magic e espero estar nesse espaço mais vezes fazendo isso. Obrigado pessoal da Let’s Collect pelo convite!

Hoje vou falar sobre PTQ extended do MOL (magic online) que aconteceu no dia 02 de janeiro. Foi o primeiro grande evento do MOL no formato e que será a pedra inicial na construção do metagame dessa temporada.

Eu joguei com um deck fadas um pouco diferente:

4 Mutavault

4 Secluded Glen

4 Darkslick Shore

3 Sunken Ruins

3 Creeping Tar Pit

5 Ilha

2 Pântano

4 Thoughtseize

4 Bitterblossom

4 Spellstutter Sprite

3 Doom Blade

1 Smother

4 Mana Leak

4 Scion of Oona

3 Vendilion Clique

4 Cryptic Command

4 Mistbind Clique

Sideboard:

2 Wurmcoil Engine

3 Infest

3 Wall of Tanglecord

2 Jace Beleren

2 Duress

2 Ratchet Bomb

1 Tectonic Edge

Claro que esse deck não tem nada de novo para quem jogou magic em 2008, mas a lista é diferente das mais comuns do atual extended. Para entender algumas das escolhas do meu deck, eu queria antes mostrar a chamada “lista padrão do MOL”, ou seja, a versão mais comum do deck que vinha aparecendo nos Daily Events, fortemente inspiradas no deck do Jonathan Randle no Worlds, que fez 6-0 e o levou ao top 8:

4 Mutavault

4 Secluded Glen

4 Drowned Catacomb

3 Sunken Ruins

3 Creeping Tar Pit

5 Ilha

2 Pântano

4 Thoughtseize

4 Bitterblossom

4 Spellstuter Sprite

2 Preordain

2 Disfigure

1 Doom Blade

1 Smother

4 Mana Leak

2 Jace, the Mind Sculptor

4 Vendillion Clique

3 Cryptic Command

4 Mistbind Clique

Spellstutter Sprite de FNM

Essa lista faz o fadas parecer mais um UB control (como o deck do Matignon, Wafo-Tapa e PV no Worlds desse ano) do que o fadas de dois anos atrás, em razão da presença de Jace, the Mind Sculptor.

O deck de fadas de dois anos atrás era o deck da malandragem, cheio de Mágicas Instantâneas, em que era muito dificil pro oponente tomar as decisões certas (raramente não tinha uma jogada que girasse em volta de Scion e Cryptic e Mistbind e Sower e Agony Warp e Spellstuter e Vendillion Clique ao mesmo tempo), ou seja, era um deck diferente. A versão do Randle inclusive corta um Cryptic Command!

Não testei quase nada para o PTQ (festas de fim de ano e teammates que só querem saber de ganhar tix), mas o conhecimento de ter jogado quase dois anos com fadas na época do T2 me ajudou a tomar decisões para montar o deck.

Eu decidi usar a versão mais parecida com a antiga, com a inclusão de Scion of Oona, por achar que ela me daria uma vantagem no confronto contra a “lista padrão”. Scion era muito importante no mirror de fadas do t2 por permitir jogar agressivamente contra uma Bitterblossom e dar a vantagem quando os dois jogadores tem a Bitterblossom, muito embora a importância maior talvez fosse  proteger o Sower of Temptation, que é uma carta que eu não usei. Ainda assim, um ponto forte a favor de Scion é que ela facilita que você resolva e proteja a Mistibind, que é a carta que me faz jogar de fadas ao invés de UB control puro.

Jace, the Mind Sculptor nunca vai ser uma carta ruim, mas talvez o maindeck do fadas não seja o melhor lugar pra ela, já que você não tem Walls, não tem tanta remoção, não tem efeitos de shuffle e o formato está cheio de man-lands do bloco de Zendikar.

Resumindo, a minha tese era que um fadas com Scion of Oona ganharia de um fadas com Jace, the Mind Sculptor, pois eu teria a vantagem na guerra das Blossoms e na guerra das Mistbinds.

Ainda não sei se essa teoria é verdadeira (Jace é realmente boa), embora eu tenha ganhado dois mirrors de fadas no PTQ. Em um desses mirrors, o oponente começou jogando, keepou com 7 e eu mulliquei a 5. No curso do jogo tomei Thoughtseize no turno 1, ele comprou 4 cartas a mais, fez Bitterblossom, Jace, the Mind Sculptor, 2 Cryptic Command e 2 Jace Beleren, enquanto eu não resolvi nenhuma dessas cartas… mas eu ganhei mesmo assim, com 5 cartas na mão no fim do jogo, por que o Scion me permitiu jogar agressivamente com os meus Mutavault e Creeping Tar Pit, forçando o oponente a usar as melhores cartas do deck dele na pior hora possível.

Se o metagame do MOL não fosse tão cheio de fadas, eu provavelmente não usaria a Scion of Oona. Acredito que ainda é possível fazer o fadas com Jace funcionar no mirror, mas precisaria de listas diferentes das atuais (incluindo Plumeveil, Peppersmoke e mais Tectonic Edges, por exemplo). Ainda tem muito espaço para inovações e o formato favorece para quem tiver criatividade para achar o melhor jeito de jogar o mirror.

Eu não gosto de Agony Warp nesse formato. Existem bichos como Knight of Reliquary, Putrid Leech, Master of Etherium e Mistbind que você precisa tirar da mesa ou você perde. Além disso, as remoções são mais importantes contra decks que estão te pressionando, e nessa hora não quero correr riscos de não ter UB livres no meio do turno, principalmente quando eu possa precisar da mana colorida pra fazer outra coisa ao mesmo tempo, como uma Vendilion. Eu só usaria Agony Warp se o formato tivesse muito deck de Necrotic Ooze.

Meu sideboard estava uma porcaria, mas não sei como melhorar. No t2 eu gostava bastante do plano de Damnation + Razormane contra decks de criaturas, então fazia sentido usar Infest + Wurmcoil Engine. Eu não gosto de usar mais do que 6 descartes para não ter topdecks ruins, então eu não usaria mais de 2 Duress no side. A Wall of Tanglecord não entra necessariamente contra todos os decks que usam Stag, mas é uma boa opção de se ter. Ratchet Bomb é contra o deck de Tempered Steel e útil contra Wargate.

Tem muitas cartas anti-bichos no side, e dificilmente tem espaço para colocar todas ao mesmo tempo. É preciso ir dosando o que você põe pra dentro de acordo com o que você viu do deck do oponente e de você estar no play ou no draw, não tenho como dar um guia pronto de como usar o sideboard.

Report dos Jogos

Rounds 1 e 2 eu ganhei de 4cc e UW Reveilark, que são dois ótimos matchups. O 4cc pelo jeito não usava Great Sable Stag no side, preferindo lutar contra fadas usando Celestial Purge, o que deixou minhas Scions melhores ainda. O UW Reveilark teve um plano interessante de side, com o Coralheim Commander, mas eu antecipei e deixei as remoções no deck.

Round 3 foi o primeiro mirror. Game 1 a minha mão era simplesmente melhor que a dele, que não teve muita reação. Game 2 foi o jogo a que me referi anteriormente, em que as Scions fizeram totalmente a diferença em uma partida que parecia impossível. Obviamente isso não significa que Scion > tudo, ou que sair atacando seja sempre o melhor plano – foi apenas o que deu certo para mim naquela situação, mas fico feliz que montei o meu deck de um jeito a me dar essa opção.

O mirror de fadas é muito dinâmico, em que é bem comum os jogadores trocarem de posição toda hora (quem joga pra ganhar imediatamente, quem joga para não perder). Meu mérito acredito tenha sido sidear melhor (ele não fez Mistbind ou  remoção, então é possível que ele tenha tirado essas cartas) e ter jogado agressivamente com as Scions e man-lands, colocando ele cedo com o pé atrás. Não sei até quando os replays estarão disponíveis, mas recomendo a todos que assistam, foi bem divertido.

Round 4 eu enfrentei o RG Valakut/Scapeshift, que é sempre um deck complicado. Apesar de 4 Thoughtseize + 3 Vendillion + 3 Doom Blade ser a melhor configuração possível de maindeck, as vezes eles conseguem fazer Valakut + montanhas naturalmente, ou compram alguma coisa do topo depois do descarte.

No futuro, vou incluir mais Tectonic Edges no sideboard pra ajudar nesse matchup e contra Wargate, algo que eu deveria ter feito antes.

Game1 eu fiquei com uma mão com Ilha, 2x Mutavault, Thoughtseize, Blossom, Mistbind e Vendillion no draw, mas a land colorida só veio no quarto turno e eu perdi quando me tapei pra fazer Vendillion no draw step e ele tinha Titan + Scapeshift na mão. No game 2 acredito que o meu oponente deu misclick pegando uma Forest ao invés de uma Montanha com um dos Harrows que ele tinha na mão (eu tinha visto antes), o que me deu o turno extra que eu precisava para matá-lo. Só sorte etc. Game 3 eu vim com a mão perfeita e foi isso.

Round 5 foi contra um deck bem interessante, o RUG Pestermite combo, que foi o vice-campeão do PTQ. O deck usa o combo de Pestermite + Splinter Twin junto com Noble Hierarch, Lotus Cobra e Bloodbraid Elf, e tem acesso a cartas boas como Cryptic Command, Lightning Bolt, Wurmcoil Engine e até Jace the Mind Sculptor, se quiser (não cheguei a ver). Deck muito criativo e interessante. Acredito que venha a ser parte importante do metagame nos próximos dias. Já comprei as cartas disso no mol, antes que suba o preço. Recomendo a todos que façam o mesmo.

Game 1 ele estava no play e começou com Noble Hierarch. Eu sempre fiquei atrás no “tempo” e acabei perdendo para dois Bloodbraid Elf. Game 2 eu fiz uma jogada interessante, com Secluded Glen (revelando Bitterblossom) e Thoughtseize, vendo uma mão com dois Preordains junto com cartas pesadas e 2 lands (sem nenhuma land que dava mana verde e se lands que tapavam pra azul no primeiro turno). Pareceu claro que ele ficou com a mão na esperança de comprar as lands com os Preordains. Além disso, eu suspeitei que ele havia tirado para o sideboard os bichos de mana para melhorar o cascade do Bloodbraid Elf (já que ele iria querer acertar o Great Sable Stag).

Por isso, eu tirei o Preordain com o Thoughtseize e no próximo turno passei com 2 manas abertas para Spelltuter ao invés de fazer a Blossom, e ele resolveu não fazer o Preordain. No próximo turno, eu fiz Blossom + Thoughtseize, e tive uma decisão interessante. Ele havia comprado e descido uma land verde, e também um Great Sable Stag.

Eu achei que não conseguiria ganhar das cartas pesadas da mão dele caso ele comprasse mais lands, então continuei no plano de tirar o Preordain ao invés do Great Sable Stag e de torcer pra ele demorar a comprar a land verde. Fiz isso até porque eu ainda poderia comprar uma das Barreiras ou Wurmcoil Engine contra o Stag, além de ter condições de ganhar na race. No entanto, ele imediatamente topdeckou a land verde, fez o Stag e manteve a vantagem com alguns Cryptic Command + Bloodbraid Elf.

Round 6 enfrentei o deck de Tempered Steel. Game1 foi absurdo. Ele tinha 5 bichos (incluindo Master of Etherium) na mesa contra o meu Scion of Oona, e eu tinha acabado de perder a quarta land drop, com uma mão de 3 Cryptic Command e mais nada.

Meu oponente atacou e me deixou com 2 de vida, e eu comecei a pensar como seria que eu poderia ganhar o jogo. Pensei que eu teria que topdeckar a quarta land e fazer uma sequencia de 3 Cryptic Command, comprando mais lands nos dois primeiros comandos, fazer o terceiro Comando para tap + voltar o Sculler para a mão (voltava uma Doom Blade para a minha mão), comprar uma Spellstuter para o Tidehollow Sculler, para eu poder desvirar com blocks suficientes para ficar vivo. Isso se ele não comprasse nada no meio tempo, e eu ainda teria que torcer pra ele jogar um pouco errado.

Obviamente, foi exatamente o que aconteceu. Essa foi outra partida bem surreal que eu recomendo para quem quer dar risada, apesar de que quem joga com fadas há bastante tempo sabe que alguns jogos são assim mesmo: você faz uma sequencia de Cryptic Command ou Mistbind Clique e ganha jogos que pareciam impossíveis. Mas tem gente que corta o Comando da lista, vai entender, heh.

No game seguinte, eu fiz um Infest 3-por-1 e ele nunca conseguiu voltar. Dei um pouco de sorte por que ele perdeu a terceira land drop e não fez o Tempered Steel antes do meu Infest.

Round 7 eu joguei contra o Akira Asahara (oponente do Jaba na final do MOCS), em outro mirror de fadas.

Carlos Romão (esquerda) e Akira Asahara (a direita)

Eu pensei que tinha uma vantagem bem grande no primeiro game quando comecei com Thoughtseize + Blossom, mas o Asahara mostrou ser o mestre que é e fez uma sequencia bem interessante de jogadas que permitiu que ele estivesse numa posição de virar o jogo caso desse alguns topdecks da sorte. Lembro que a cada turno eu pensava “nossa, como ele é bom“. No entanto, consegui não fazer besteira e ganhei o jogo quando ele não comprou as cartas que precisava. No game seguinte, foi a minha vez de começar o jogo pressionado, especialmente por que ele colocou Sower of Temptation e Peppersmoke (que são cartas que eu gosto e que nenhum outro fadas do MOL estava usando, mas que são boas contra as minhas Scion of Oona). Eu quase virei o jogo com uma seqüência de jogadas que me permitiria estabilizar a mesa com a Mistbind e matá-lo em dois turnos, caso a última carta da mão dele não fosse uma anulação ou uma Doom Blade.

Quando a Mistbind resolveu e colocou o habilidade de champion na pilha, eu comecei a ficar empolgado… mas ele flutuou mana e fez o Doom Blade.

O terceiro game foi outra partida interessante. Eu estava no play e nós dois fizemos Blossom de segundo turno. No meu draw step, ele fez Vendillion Clique, e eu não anulei com medo dele desvirar e fazer Sower/Jace. Ele usou o trigger nele mesmo (jogada bem interessante e mostra o quanto ele é bom). No upkeep dele, com o trigger da Blossom no stack, eu fiz Mistbind Clique, já que ele não teria fadas suficientes pra anular com a Spellstuter (quando eu ataquei com o meu primeiro token, ele bloqueou no primeiro token dele).

A Mistbind resolveu, e no turno seguinte eu cometi um erro e decidi atacar com o Mutavault. Minha ideia era que se ele bloqueasse com a Vendillion, a Mistbind estaria livre para atacar no próximo turno sem medo de morrer (ele provavelmente não tinha o Doom Blade na mão, já que não fez no turno em que eu resolvi a Mistbind), e, se ele não bloqueasse eu teria a vantagem de vida na guerra das Blossoms. No entanto, aconteceu o pior cenário: ele bloqueou e fez outro Vendillion, e o resultado foi que eu troquei o meu Mutavault por uma carta morta da mão dele. Pra piorar, eu parei de comprar lands e ele começou a ter uma vantagem significativa de mana (e man lands), me colocando numa posição muito ruim. Nessa hora eu decidi parar de atacar com os tokens da Bitterblossom, para tentar ganhar com alpha strike depois de fazer um Cryptic Command.

O jogo chegou num ponto em que eu decidi fazer o Cryptic Command no fim do turno dele, pois naquele momento eu poderia atacar e sobreviveria ao ataque na volta. Depois disso, eu precisaria fazer o segundo Comando da mão para tentar o alpha strike letal, com a opção alternativa de esperar a Blossom matá-lo. No entanto, ele fez a Mistbind (removendo um token) em resposta ao Cryptic, e eu não poderia mais atacar. Argh.

Pra piorar, ele teve um turno excepcional na seqüência, topdeckando Peppersmoke no meu token e topdeckando um Duress na compra do Peppersmoke, tirando o meu Comando. Agora ele poderia começar a me atacar e eu não tinha mais como ganhar o jogo com as cartas da mão. Nessa hora eu entrei em tilt completo e saí do computador para tomar água (uma das vantagens do mol).

Por sorte, a única coisa que superou o topdeck dele foi eu ter topdeckado o meu terceiro Comando! (e tem gente que corta o Comando do deck, heh heh). Conclusão: água dá sorte. Ele ainda teve um turno pra comprar alguma coisa, já que eu precisava fazer o Cryptic no turno dele e usar a mana no meu turno pra ativar o Creeping Tar Pit. Ele falou algumas coisas em japonês no chat, que eu coloquei no google translator (ele falou “irritante” e “fuzakeru-“, que eu não sei o que é… alguém fala japonês?).

PHEW!!!!

Round 8 foi contra Willy Edel, de Jund. PTQ no mol tem 3x mais jogadores que PTQs irl e também tem oponentes 30x mais difíceis.

O primeiro jogo foi bem complicado, e outra vitória em uma situação aparentemente impossível graças aos meus 4-drops. Eu keepei uma mão com Mutavault, Doom Blade e Spellstuter de coisas para fazer cedo, na esperança que isso fosse me deixar vivo por tempo o suficiente. No entanto, ele estava no play e fez Anathemancer e Kitchen Finks nos primeiros turnos, deixando a minha mão bem pior. No turno em que ele fez o Finks, eu decidi não usar o Doom Blade imediatamente, fazendo ao invés disso uma Spellstuter de fim de turno, pra facilitar resolver a Mistbind da mão. Passei com 4 manas abertas e no turno dele ele fez Bloodbraid Elf. Pra minha sorte, o Elfo virou um Lightning Bolt, e não um bicho haste.

Talvez ele tenha cometido um erro, dando o Bolt na minha Spellstuter ao invés de em mim (aqui entra a parte de como é importante o fato de fadas ser difícil de se jogar contra, pois são muitas cartas pra se jogar em volta e oponente tem que ficar adivinhando o que você tem). Eu removi a Spellstuter para a Mistbind e bloqueei o Bloodbraid. Como eu tinha comprado uma Vendillion e também tinha uma Spellstuter na mão, eu fiz as contas e decidi começar a race (22 [vida dele] – 4 [turno de ataque da Mistbnid] – 8 [turno de ataque da Mistbind, Vendillion e Spellstuter] – 10 [turno de ataque da Mistbind, Vendillion, Spellstuter e Mutavault, depois de dar o Comando pra tap] = 0). No turno seguinte, a Vendillion colocou no fundo um Demigod of Revenge, eu anulei um Maelstrom Pulse com a Spellstuter da mão e ganhei a race, ficando com 2 de vida e dando dano letal exato, conforme calculado.

Se no turno em que eu fiz a primeira Spellstuter eu tivesse usado o Doom Blade, ou se ele tivesse dado o Raio em mim, o resultado poderia ter sido diferente. Ganhar o primeiro game contra Jund, no draw, foi muito importante, já que o matchup parece bastante complicado antes do sideboard.

Os outros dois jogos foram um atropelo pra cada lado. Vale notar que eu coloquei a Tectonic Edge do side como a 26ª land do deck, pra conseguir resolver a Wurmcoil Engine, e no turno que eu fiz a Wurmcoil era a Tectonic na mesa que me permitiu descê-la.

Também vale contar uma excelente jogada do Willy no terceiro game, em que ele tinha só uma Savage Lands desvirada e eu fiz Vendillion Clique e vi uma mão com duas cartas: Lightning Bolt e Volcanic Fallout. O legal dessa jogada é que o fato dele não ter feito o Bolt naquela hora deu a chance para eu errar, possivelmente tirando o Bolt ao invés do Volcanic Fallout, que era a carta que ele precisava resolver pra tentar virar o jogo. No entanto, eu consegui não fazer m*rd* e tirei o Fallout.

Round 9 enfrentei o UW control, outro deck popular do MOL. Esse deck tem bons matchups contra o resto do ambiente, mas com certeza não consegue ganhar jamais de fadas. Foi uma vitoria tranqüila depois de vários rounds tensos.

No top 8, joguei contra o Mythic Bant. No primeiro jogo vim com uma dessas mãos com Thoughtseize, Blossom, anulação e Mistbind no play, então não tive grandes dificuldades.

Game 2 foi quando eu cometi o erro que talvez tenha me custado o campeonato. Nós dois estávamos jogando no topdeck, mas eu tinha uma pequena vantagem por ter o Mutavault na mesa, apesar dele ainda ter bastante vida.

Quando eu tinha 10 de vida, eu comprei um Thoughtseize e vi a única carta da mão dele, uma Misty Rainforest, que ele desceu na seqüência. Quando eu comprei o segundo Thoughtseize, eu decidi não usar quando ele tivesse uma carta na mão, mas guardar caso eu comprasse uma Vendillion Clique (para recicla-lo), tendo ainda a opção de fazer o Comando Azul voltando uma permanente para a mão e depois forçar o descarte. Além disso, eu não queria ir a 6 de vida, por que caso ele comprasse uma Celestial Colonnade ou outros bichos, eu não teria mais a Bitterblossom como saída viável para segurar o jogo.

Uma hora minha mesa era 8 lands e a mão era Thoughtseize, Comando Azul e eu acabara de comprar uma Vendillion Clique, contra o oponente com uma carta mão, e a mesa com 6 lands, 1 Misty Rainforest, 1 Marsh Flats e 1 Birds of Paradise.

Eu passei o turno sem fazer o Thoughtseize, e esse foi o meu erro. Pensei que eu poderia botar no fundo com a Vendillion Clique qualquer carta relevante que ele comprasse. Mesmo se a outra carta da mão dele fosse Mana Leak e ele comprasse outra coisa boa no draw da Vendillion, eu poderia deixar a carta boa dele resolver e, depois, faze-la voltar para a mão + descarte com o Comando e Thoughtseize no meu turno, quando eu teria a mana para pagar a Mana Leak.

OBVIAMENTE, o draw dele foi o Soverein, a outra carta da mão era Mana Leak e ele comprou outro Soverein depois da habilidade da Vendillion, ou seja, veio a sequencia perfeita de três cartas, na ordem perfeita, que iria punir o meu erro.

Ele fez o Sovereings e deixou desvirados uma Ilha, a Marsh Flats e a Birds. Não tive escolha a não ser deixar o Sovereings resolver. Eu esperei ele atacar com a Birds e resolver a habilidade do Sovereings, e então fiz Comando para voltar a Birds e comprar uma carta.

A razão de eu ter esperado ele atacar foi que eu desconfiava que ele não tinha uma Planície no deck para pegar com a Marsh Flats, pois ele já tinha uma Planície na mesa. A lista do Terry Soh no mundial usava duas Planícies, mas eu vi que o meu oponente tinha feito um Murmuring Bosk no primeiro game, que provavelmente estaria ocupando o lugar da segunda Planície. Ou seja, se a minha previsão estivesse certa ele não conseguiria fazer a Mana Leak da mão sem ter a mana da Birds, que estava virada e atacando. Além disso, também havia a possibilidade do oponente ter apertado f6 depois do ataque.

Enfim, o Comando resolveu como esperado e eu tinha duas compras para achar outro Comando, Doom Blade ou Wurmcoil Engine, existindo ainda a chance dele comprar ou ter sideado pra fora a segunda Conscription. Nada disso aconteceu e eu perdi o game.

No terceiro game eu comecei bem e se eu comprasse um Infest a qualquer momento seria “gg”, já que eu daria um 6-por-1. Ele comprou e fez a Conscription e eu não tinha anulação ou remoção, e perdi.

Uma decisão interessante foi quando eu usei a habilidade da Vendillion em mim mesmo, tentando achar o Infest, ao invés de dar nele, onde eu talvez pudesse ter removido a Conscription. A razão de eu ter feito isso foi que reciclar uma potencial carta da mão dele era algo que não me ganharia o jogo, mas adiaria a derrota, já que a mesa dele era superior a minha. Se nós dois continuássemos sem comprar nada, ele ganharia o jogo, então eu precisava tentar achar a carta que me faria virar a partida. Mas talvez a minha interpretação da mesa estivesse errada, ainda preciso pensar mais sobre isso.

O ambiente extended parece totalmente aberto, com espaço para inovações e várias estratégias viáveis. O top8 desse PTQ teve oito decks diferentes. Estou bastante empolgado para continuar testando o formato, e, se eu não achar nada novo, fadas continua sendo sempre uma boa opção, apesar de fazer você sofrer muito do coração.

É a tal montanha russa de emoções, pra ser sincero, em que você vai da alegria de abrir a mão com Thougthseize + Bitterblossom até turnos de sofrimento e desespero, em que você precisa planejar os próximos quatro turnos e rezar para dar tudo certo. Tudo isso sabendo que existem muitas decisões a serem tomadas e que qualquer besteira que você fizer VAI custar o jogo e o campeonato.

Ou seja, é o deck que representa tudo o que eu gosto no magic competitivo.

Espero ter ajudado quem quer conhecer mais sobre o formato, e espero também melhor meu jogo a ponto de poder escrever um report da vitória ainda em 2011. :D

Lucas Berthoud

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