Report João Dannemann PTQ Nagoya – Porto Alegre – Campeão!

Olá galera!

É com muito prazer que venho até vocês contar um pouco sobre um dos melhores fins de semana de minha vida.

A história deste PTQ para mim começa em janeiro. Como contei para vocês no artigo sobre o processo de preparação, muito antes do torneio organizei um time de treino e já deixei as passagens compradas para aproveitar os preços atrativos das companhias aéreas.

A mais ou menos duas semanas atrás resolvo ligar para a loja organizadora do torneio e reservar as vagas para o time. Então recebo uma notícia que me fez, sem brincadeira, quase infartar. A data do torneio publicada no site da Wizards Of the Coast havia sido publicada errada e que o número de vagas ia ser reduzido, 54 até então. Após muita conversa que vocês podem acompanhar na ligamagic, as vagas foram aumentadas, e com isso nossas passagens remarcadas e a aflição com a chegada eminente do torneio começou a tomar conta.

Eu estava até o momento convicto de que minha escolha seria o RG Scapeshift. Mesmo tendo treinado forte durante uma semana no online com o Fadas decidi que não seria uma escolha certa para quem queria ganhar uma vaga. Cheguei a esta conclusão devido ao fato do Fadas possuir 2 matchups praticamente incorrigiveis que são Monored e Bant.

Na última quarta-feira antes da viagem marquei uma sessão de conversa com meus colegas de viagem. Enquanto assistiamos um jogo da UEFA falavamos sobre nossas impressões sobre os deck e trocavamos nossas expectativas. Ainda naquela noite resolvemos organizar um mini-torneio e eu fiz 0-3 com o meu deck, que até o momento era o RG.

Antes de dormir naquela mesma noite eu me lembrei de uma lista que havia visto jogar no MOL e que havia ficado em segundo lugar num dos PTQs. Era um UW com splash vermelho para Cunning Sparkmage e Lightning Bolt. O baralho havia perdido a final para um Bant, olha ele de novo na minha frente. Mas resolvi assistir as partidas em que a lista apareceu, por que, ao menos no papel a partida parecia bem favorável para essa nova variação do UW. Constatei que ele praticamente não jogou a final, manteve duas mãos duvidosas e os dois jogos que perdeu o baralho não chegou a jogar nenhuma mágica. Era como se o jogador da final quisesse entregar a partida, mas sem conceder diretamente.

Com a festinha marcada parti na sexta-feira a tarde para Porto Alegre. Com uma viagem tranquila cheguei ao local do torneio onde nos deparamos com o Willian Corvo que iria me hospedar durante o fim de semana. Conversei um pouco sobre Magic com os locais enquanto meus colegas jogavam mais algumas partidas.

Willian nos conduzui até sua casa para nos prepararmos para a festa que rolaria. Após várias cenas divertidissimas proporcionadas pela manguaça e tomarmos um banho partimos para o Cabaret. Cabaret naquela noite parecia o Players Party do PT. A cada dois passos você encontrava um colega de jogo.

Após algumas conversas e uns 3 tocos (aparentemente meu papo não estava muito bom naquela noite =p) decido que seria hora de ir embora comer alguma coisa e descansar. Ao sair encontro o Shooter curtindo um Bad Beats no meio fio, o recolho e retorno a casa do Corvo.

No outro dia acordamos e após a ressaca de todos passar começou a correria para fechar os decks e concluir os ultimos ajustes de sideboard.  Segue abaixo a lista base utilizada:

Aqui vale um agradecimento especial ao meu grande amigo Eduardo ‘Shooter’ Borges. Eu, ele,  Bolov0, Mini-Oiso e TD pegamos a stock list de UWr e começamos a tuná-la. Com a experiencia do Shooter e do Bolov0 unidos ao match count monstruoso que nós curitibanos possuiamos o resultado não podia ser muito diferente. Uma decklist simplesmente incrivel.

A primeira mudança foi remover os Kitchen Finks da decklist original. Essa carta está MUITO mal posicionada no metagame atual, as espadas fazem com que ele não seja o bom bloqueador de antigamente. Colocamos em seu lugar os quartos Preordain e Cunning Sparkmage. No metagame brasileiro de PTQ decks de criatura são sempre muito populares. Devido a este fator decidi aumentar um Spot Removal do deck e remover um Counter.

Após registrarmos quantas cartas poderiam ser retiradas em cada matchup listamos todos os cards que poderiam aparecer no sideboard e definimos as quantidades.

Repetimos o processo com outros dois baralhos: o Bant utilizado pelo TD e o Fadas pilotado pelo Mini Oiso.

A noite já havia chegado e não restava muito mais a fazer. Fizemos uma comemoração de aniversário para o Mini-Oiso, com direito a bolo e tudo, e enquanto o pessoal jogava freneticamente o sono começou a me pegar.

Pilhei o pessoal para comprar comida, pois estava com muita fome, mas acabei caindo dormindo antes mesmo da pizza chegar.

No outro dia acordei bem cedo. Dediquei uns 15 minutos para concentrar minha mente e ligar o ‘olho de tigre’. Tomei um banho, comi a pizza de ontem que o pessoal havia guardado para mim (isso sim que é amigo,hein!) E fui.

Sem mais delongas essa é a lista que eu preparei para o torneio:

Na hora do preenchimento das checklist me mantive atento para captar informações sobre cartas e possivelmente identificar o baralho de meus oponentes. Agora irei comentar cada um dos meus rounds incluíndo o plano de Sideboard utilizado por mim.

Confrontos

Round 1 – Pedro – Boros

Eu estava um tanto quanto nervoso para o começo dessa partida pois sabia que se perdesse o round 1 todo o preparo poderia ir ralo abaixo. Enquanto embaralho meu deck acabo derrubando um Cunning Sparkmage.

Ele ganha no dado e começa com um Terramorphic expansive e passa o turno e quando no final do turno ela é estorada para Planicie percebo que se trata de um Boros.

Boros é uma match que eu conhecia muito pouco mas meu baralho parecia em vantagem contra o dele.  Eu acabo cometendo um erro logo no turno 2 que provavelmente me custou a partida. Simplesmente esqueço do Basilisk Collar do meu deck e pego prontamente uma Sword of Body and Mind.

Com essa jogada após eu estabilizar a mesa não tive pontos de vida o suficiente para sobreviver a um topdeck de Ranger of Eos buscando Goblin Bushwacker e Figure of destiny.

Side:

Out: 3 Mana Leak 2 Spell Pierce 2 Jace the Mind Sculptor

In: 3 Arc Trail, 1 Lightning Bolt, 1 Path to Exile, 2 Baneslayer Angel

Pós sideboard eu me senti ainda mais com a vantagem. O game 2 foi decidido rapidamente pelo Arc  Trail que acertou os irmão Steppe Lynx e Plated Geopede. Counter no Ranger of Eos, Vendillion no fim do turno tirando o Path to Exile e um Sun Titan para fechar o jogo.

Devido a um rulling que demorou um pouco mais que o extra time que foi dado restou pouco tempo para o jogo 3. Proponho para ele nós dois jogarmos rápido já que o empate poderia deixar os dois em maus lençóis para o resto do torneio. Ele aceita mostrando um Fair Player que é.

Em jogos onde é necessário tomar decisões rápidas eu normalmente me saio muito bem. Meus Cunning Sparkmage são trocados com os removals dele e vice-e-versa. O jogo se estende e a vantagem fica comigo, mas ele consegue achar um Ranger of Eos e busca um par de Goblin Guide para tentar me finalizar em dois turnos.

Eu acho um Baneslayer Angel equipo com minha Sword of Feast and Famine e ele não compra uma solução para o anjo e inevitávelmente morre no mesmo minuto em que o juiz vinha nos avisar que o tempo extra havia se esgotado.

Round 2 – MBC – UGr Scapeshift

Eu já sabia antes do torneio começar que o MBC estava de UGr. A partida me parecia assustadoramente desfávorável. E a cada turno eu cruzava os dedos na minha mente para que ele não achasse o combo.

Resolvo  Stoneforge Mystic para Sword BG. Tenho alguns problemas de mana e fico parado na terceira. Quando compro a quarta decido que eu teria que me tapar naquele turno para resolver um Jace the Mindsculptor. O que eu me esqueci é que ele tinha uma Tectonic Edge na mesa e baixo meu terreno antes do combate. Stoneforge ataca e se ele destruisse um terreno meu durante o combate eu não conseguiria resolver o Jace. Por sorte quando ele lembra da Tectonic já é tarde e minha Jace entra na mesa sem resposta. Dou um fateseal nele jogo o Prismatic Omen para o fundo. Alguns ataques depois e ele perde sem achar solução para minha criatura equipada com a espada.

Vale salientar aqui que eu percebi meu erro de jogo logo após cometê-lo e isso foi muito importante para que eu conseguisse não demostrar a meu oponente que precisava daquela mana.

Side:

Out: 2 Path to Exile 4 Cunning Sparkmage

In: 2 Flashfreeze 1 Spell Pierce 1 Sword of Feast and Famine 2 War Priest of Thune

Meu sideboard não adicionava muito nessa partida. Os Bolts permanecem no deck para lidar com as Vedillion Clique do oponente e para que eu conseguisse matar ele de uma maneira mais rápida.

No jogo 2 ele começa muito rápido com vários Explore, Rampant Growth e Preordain. Tenho apenas um counter que poderia realmente anular algo, Flashfreeze, já que o Mana leak havia sido inutilizado pelas acelerações. Não consigo colocar pressão e em uma counter war ele encaixa Omen que me mata em 2 Turnos.

O jogo 3 é cheio de ações para ambos os lados. Dessa vez eu tenho pressão na mesa e ele espera a hora certa e consegue resolver Prismatic Omen. Ele baixa e estoura fetchland mata minha criatura e acredita estar com o jogo nas maõs. Porém eu tinha um par de Lightning bolts que acabaram com o jogo no turno seguinte com o auxilio de um Celestial Collonade.

Round 3 – Rg Scapeshift

O oponente me pergunta se sou o mesmo João que escreve para a Lets Collect. Afirmo que sim e ele disse que meus artigos foram muito utéis para ajudá-lo na escolha do deck. Fico muito lisonjeado.

Acredito que essa matchup não seja muito favorável, mas com certeza é ganhável.

Na primeira partida anulo algumas acelerações e um Mystic segue o atacando com Sword of Feast And Famine. Minha mão estava cheia de cartas mortas e terrenos então eu preferia manter minha mão cheia para que enquanto ele tivesse escolha de fazer ou não sua mágica ele a mantivesse na mão. Infelizmente o tempo providenciado a ele pelo meu estilo de jogo permite que acabe me matando com o Scapeshift.

Side:

Out: 2 Path to Exile 4 Cunning Sparkmage

In: 2 Flashfreeze 1 Spell Pierce 1 Sword of Feast and Famine 2 War Priest of Thune

O jogo 2 eu não me recordo ao certo. Lembro de fazer uma Vendillion que foi morta na mesma hora por um Bolt e não ver nada interessante na mão dele , achando então que ainda estivesse no jogo.

Em dois turnos ele faz Primeval Titan que tento anular com um Mana Leak mas que prontamente sou impedido de fazer pelo Guttural Response. Detalhe: eu não espera MESMO por esses cards.

Sai um pouco triste com a derrota, mas a felicidade do meu oponente ao ganhar de mim me deixou meio feliz. Nessa hora converso um pouco com o PV e pergunto qual a opinião dele a respeito de Path contra Rg. Ele me diz que não gosta, mas acredita ser melhor que Bolt.

Round 4  – Fábio – RG Scapeshift

No inicio da partida ele também se identifica como leitor assiduo de meus artigos. Ganho no dado e mulligo com uma mão com Cunning Sparkmage por saber que ele estava de Scapeshift.

A segunda mão não estava muito boa, mas continha um Stoneforge Mystic que conseguiu imprimir pressão o suficiente para que ele tivesse que começar a fazer suas ameças antes de estar na zona segura. Com dois counters, consigo assegurar a partida em meu favor.

Side:

Out: 1 Lightning Bolt 4 Cunning Sparkmage

In: 2 Flashfreeze 1 Spell Pierce 2 War Priest of Thune

“Sideei” um pouco diferente para essa partida. A segunda SoFaF parecia desnecessária e mantive os Path por sugestão do PV.

No jogo 2 anulo algumas acelerações com Pierce e Leak. Mystic para SoFaF me deixa com o jogo controlado e no turno seguinte baixo um War Priest sem alvos. Ele consegue matar ambas as criaturas com Fallout+ Raio. No turno seguinte, mesmo possuindo um Cryptic na mão, opto por fazer um Jace dando Fateseal no meu oponente.

Se o topo dele tivesse duas ameaças seguidas eu perderia o jogo porém se não o tizesse eu teria ganho o jogo ali. Ao olhar o topo vejo uma floresta e a partir daí o jogo é dominado por uma Celestial Collonade atacando com SoFaF e Jace controlando o topo.

Round 5 – Fadas

Eu sabia o deck do meu oponente pois ele havia acabado de perder para o TD. Ele comentou que o rapaz jogava bem e que ele ganhou por pura sorte.

Ele ganha no dado começa de terreno virado seguido com Bitterblossom. Eu resolvo meu Mystic. Ele em seu turno 3 pensa um bocado e faz um Vendillion Clique. Nessa hora enquanto ele pensava alerto o juiz que ele poderia estar tomando mais tempo que o necessário para tomar a decisão e é instruído a manter um ritimo aceitavel de jogo.

Ele faz uma jogada muito interessante me deixando com a minha espada na mesa. E retirando um Jace de minha mão. Neste ponto era claro para mim o que havia naquela decisão. E ele possuía o Jace dele.

No turno seguinte ele faz um Jace sem backup e acaba me pegando sem um Mana Leak. Jace resolve e olha meu topo para garantir que ele sobrevivesse a um ataque de Stoneforge equipado. Eu consigo matar o Jace equipando o Stoneforge em conjunto com o Bolt achado através de um Preordain.

Ele faz e equipa uma espada ataca e depois do combate faz uma Mistbind Clique aproveitando que havia usado todas minhas manas. Compro do turno apenas para me certificar de que não era um Cryptic e concedo a partida.

Side:

Out: 1 Collar 2 Jace 1 Sword of Body and Mind 3 Lightning Bolt

In: 2 War Priest of Thune 2 Baneslayer Angel  1 Path 1 Pierce 1 Sword of Feast and Famine

O game 2 começa meio conturbado. Meu oponente tinha uma espécie de tique nervoso que fazia com que ele mexesse no deck a cada segundo o que além de atrasar o jogo me fez desconfiar de alguma marcação no shield.

Alerto o juiz e o mesmo pede para que meu oponente evite fazer isso. No segundo seguinte ao que o juiz saiu do lado da mesa, meu oponente faz o mesmo movimento do tique e ao que parece fez com que ele perdesse o controle emocional, num misto de vergonha e medo. Eu me aproveito da situação para fazer com que ele jogasse no meu ritimo de jogo tomando decisões cada vez mais rapidamente o e sobre mais pressão.

O aspecto desse jogo não teve nada de mais. Ele não possuia Bitterblossom e eu consegui resolver um Sun Titan após travarmos uma counter war no fim do turno dele em cima de uma Vendillion Clique.

O jogo 3 começa com mais confusão com os juizes. Eu acabo olhando uma carta extra na hora de comprar. Eu mesmo chamo o juiz explico a situação e recebo meu warning. Neste jogo mulligo a 5 depois de mãos que não tinham uma maneira de lidar com uma Bitterblossom.

Ele faz terreno e passa eu faço terreno e passo com um Spell Pierce na mão e cara de triste. Spell Pierce pega a Bitterblossom e achei que com essa jogada estaria com boas chances. Mas obviamente meu oponente tinha outra Bitterblossom.

Cunning Sparkmage recém chegado faz com que eu tenha anulado a Bitterblossom de outra maneira. Mas quase caio da cadeira quando ele faz a terceira Bitterblossom.

Eu tinha uma Sword na mão que se conectasse poderia fazer o jogo virar ao meu favor. Jogo um preordain que acha Vedillion Clique. No fim no turno ela é jogada e anulada criando uma janela para que no meu turno a SoFaF entrasse em campo equipando o Sparkmage e me deixando muito bem na partida. Agora as Bitterblossoms estavam do meu lado

Meu oponente resolve um Jace em seu turno seguinte dando brainstorm. E comete um erro parecido com o meu e olha uma carta a mais durante o brainstorm. Porém ele não aceita muito bem a punição e novamente entra em tilt.

No meu turno ataco novamente e em seu turno ele faz uma sword e equipa em um token de fada. O que ele se esquece é que eu poderia ter uma remoção para a fada. Obviamente foi o que aconteceu e assim uma nova oportunidade foi aberta para que eu pudesse resolver meu maior ganhador de jogos do dia: Sr. Sun Titan. O Titã trouxe para o jogo meu Cunning Sparkmage que havia sido morto pelo Disfigure.

No turno dele ele me surpreende, novamente, com uma Sower of Temptation no meu Sun Titan me dando apenas dois turnos de vida. Ele estava a oito de vida e se eu comprasse um único terreno a mais eu poderia animar uma das Collonades, equipar a espada e atacar.

Para minha sorte é isso que acontece. Baixo o terreno viro tudo e equipo a espada, mega contente em ter sido premiado pelo deck. Quando chega no combate meu oponente diz que eu não tinha mana suficiente para fazer aquilo. Foi a minha vez de tiltar começei a me xingar por dentro falando coisas do tipo “Vai perder, poque não sabe contar seu burro!”. Então abaixo a cabeça de tristeza e vejo meu terreno no chão =p

Explico para o meu oponente exatamente isso, mas ele tinha certeza de que eu estava roubando ele. Chamei o juiz e reconstruí o jogo, e ele entendeu o que havia acontecido. Mas meu oponente continuava a argumentar que não sabia de onde aquele terreno havia vindo. O parecer do juiz-mor é passado dizendo que o jogo seria retornado ao último estado válido. Então fiz as coisas com calma. Ele bloqueia com a Sower, compra a carta do turno e faz cara de choro. Ataca com as criaturas e eu bloqueio o suficiente para ficar vivo. No meu turno, novamente a Collonade levanta a espada e atravessa o campo de batalha em direção a meu oponente.

Ufa. Depois de tanta confusão consegui ganhar. Uso os minutos restantes da rodada para descansar e fazer que meu coração voltar a bater normalmente.

Round 6 – Vinicius – Jund

Tento descobrir com o que meu oponente estava jogando, mas não consigo. Sento na mesa e alguns minutos depois chega o Pé de Pano, colega nosso de POA que havia pego um baralho emprestado comigo.

Ele chega e me diz: “Pode levantar Jaum. Você ganhou”. Eu respondo com um olhar de várias interrogações e ele diz que é meu oponente desta rodada. Eu explico para ele que ele não precisava conceder para mim por causa do baralho, mas ele explica dizendo que faz questão e que jogava apenas pelos boosters e me concederia mesmo que não tivesse emprestado o baralho.

Agradeço MUITO. Provavelmente seria só empatar o próximo round para estar no top8.

Seguimos eu, bolov0 que havia dropado, Jaba que havia dado seu primeiro ID e PV até uma lanchonete próxima para comer algo. Algumas risadas e com o corpo sustentado por muito boas bocadas, voltamos ao local do evento. Tomo um susto achando que a rodada já havia começado mas na verdade estava todo mundo dentro do salão assistindo os jogos decisivos.

Round 7 – Boros

Chego na mesa, com meu oponente sentado, e já proponho o ID em pé mesmo que é prontamente aceito.

Uso o tempo desta rodada para relaxar ainda mais para o TOP 8 que estava por vir. Dei várias risadas sobre a galera comentando os erros cometidos nas primeiras mesas. Que parecem ainda mais absurdos quando vistos de fora.

Uma história antes do Top 8

O top 8 é chamado para entrar, e até o último momento não sabia que eu iria enfrentar. Quando o juiz anuncia os brackets percebo que meu oponente no top 8 não é nada menos que o bicampeão mundial Carlos Romão, Jaba para os amigos e Jabs na Let’s.

Conheci melhor o Jaba no Nacional Legacy. Eu sempre o comprimentava nos eventos que ia jogar em São Paulo mas nunca havia trocado mais do que dez palavras com ele. Ele chegou no evento no meio da tarde e pediu meu deck emprestado para jogar o Last Chance Qualifier do Nacional Legacy. Eu empresto para ele claro, e explico um pouco sobre o sideboard e o resultado era meio óbvio. Ele consegue a vaga de primeira sem nunca ter jogado uma partida com o deck antes.

No meio do torneio conversamos bastante e desde então sempre que possível mantenho contato com ele pois ele é um grande exemplo no jogo para mim.

Quartas de Final – Jaba – Mirror

Havia visto o Jaba jogando no suiço e vi que ele estava com um deck parecido com o meu.

Após embaralharmos nossos decks resolvo fazer uma pergunta que até mesmo para mim soou indecente. “Jaba, você não concederia para mim?” achando que ele tinha level para jogar o PT. E ele diz “Concedo sim”. Eu não estava acreditando naquele momento que ele realmente iria fazer isso por mim.

Havia passado para as Semi-finais e estava em melhor condição mental que qualquer um ali pois estava bem descançado.

Assisto a quarta de final de onde sairia meu oponente e também vejo o Inglês na outra chave jogando muito bem de Monored, já sabendo que quase que inevitavelmente se eu chegasse a final ele seria meu oponente.

Matheus Anjos, amigo meu de POA vence e seria meu oponente na semifinal. Ele estava com uma stocklist de Bant que eu acredito que seja favorável para meu baralho principalmente pós sideboard.

Semifinal – Mateus Torto – Bant

Ao chegar na mesa o Torto já avisa que não teria chances contra monored e que me concederia se o Inglês ganhasse. Ele pergunta se eu concedereia se o fadas ganhasse. Digo que não, pois não importando quem fosse o oponente eu me achava capaz de ganhar aquele torneio.

O game 1 é bastante puxado. Dou Bolt no Noble Hierarch, Path no Cruzader e resolvo um Stoneforge para Sword. Quando equipado ele é exilado por um Path to Exile. Ele resolve uma Elspeth que é morta com dois ataques de Collonade. Ele compra e passa.

Nessa hora o Inglês confirma seu favoritismo e segue para a final.

Nesse turno eu poderia atacar com Collonade equipado. Ele estava aberto e extamente com as manas possíveis para um Bant Charm. Ele meio distraido permite que eu equipe a Collonade e depois de eu declarar o ataque ele tenta dar o previsto Bant Charm no Collonade. Alerto-o da proteção contra o verde. Neste momente ele simplesmente desaba. Mata a espada de qualquer maneira compra e concede.

Enquanto eu já pegava minha caixa com o sideboard meu oponente me avisa que desejava conceder o jogo pois estava muito cansado e mesmo que ganhasse de mim não acreditava que teria chances na final.

Para quem deseja saber meu sideboard seria algo assim:

Out: 4 Cryptic 3 Leak 2 Pierce

In: 2 Sower 3 Arc Trail 1 Bolt 1 Path 1 Sword 1 Baneslayer

Eu agradeço, vou lá fora tomar um ar, e tenho chance de ver se o Inglês estava interessado realmente em ir para o PT mesmo sendo no Japão e todos os problemas que isso poderia causar, até mesmo com o visto. Ele diz que queria muito ir e então decidimos seguir para o jogo.

Final – André Inglês – Monored

Monored é um baralho que estava incrivelmente bem posicionado neste metagame. Tem boas partidas contra os decks de espada e fadas.

Apesar de ele ter ganhado de 2 ou 3 UWx no suiço eu me sentia favorável para essa partida.

Começo perdendo no dado e mulligando uma mão lenta e outra sem terrenos. Minha mão de cinco cards era muito boa pois tinha o essencial contra o Monored Path, Leak e 3 Lands. Com cinco cartas era uma mão perfeita.

Ele abre com o habitual Goblin Guide que me ajuda dando mais um terreno. Compro Sun Titan e moldo todo meu plano em cima dele.

O Goblin Guide me ajuda muito neste plano me dando lands e cobrando em forma de pontos de dano. Anulo outras crituras que ele tenta fazer e ganho tempo o suficiente para fazer o Sun Titan. Neste tempo havia comprado também o Basilisk Collar. Fiz o Sun Titan, voltei uma fetch e baixei o Collar. Nesta hora vejo que estou com o jogo nas mãos,  ele ataca com Figure of Destiny em uma ultima tentativa de conseguir matar o Titan. Como eu não bloqueio ele não tem cartas o suficiente para matá-lo. Titan ataca equipado. Ele tenta em seu próximo turno combinar duas mágicas vermelhas para matar o Titan a segunda é anulada e então ele desiste.

No jogo 2 ele começa muito rápido mas eu consigo controlar mesmo estando a apenas um ponto de vida. Chega uma hora que tenho que gastar meu Cryptic Command em um Boggart Ram-gang, para em seguida ele fazer Ball Lightning e eu morrer.

No jogo 3 é a vez dele mulligar. Estou com uma mão muito boa com Bolt, Path, Stoneforge e Baneslayer.

Mato as agressões iniciais e quando lá pelo turno 5 dou uma Vendillion Clique e vejo que ele não possui agressão suficiente para me matar de maneira rápida, pois eu ainda estava com 16 pontos de vida, escolho jogar o jogo da maneira mais segura possível, mesmo que isso fizesse o jogo demorar muito mais para matá-lo. O que provavelmente foi uma atitude incorreta, pois com draws um pouco melhores da parte dele eu poderia me complicar bastante.

Ataco com o Titan equipado com Collar, o que faz com que ele estenda a mão e eu perceba que AEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE ganhei!!!!!!!!

Recebo os comprimentos de todos saio lá fora ligo para amigos e parentes sem acreditar direito no que acabará de acontecer.

Vamos para ultima noite na casa do Corvo leio alguns comentários postados na Ligamagic e deito para conversar com os rapazes e durmo.  Acordo as 4 da madruga e começo a vibrar sozinho. Agora sim tinha caído a ficha. Meus dois meses de treino haviam dado fruto.

Com essas mais de 4000 palavras espero ajudar quem vai jogar os próximos qualificatórios e também compartilhar um pouco da minha felicidade.

Como todo bom Report terminarei com os props e os slops.

Props

– Para a Lets Collect pelo empréstimo de cartas e pela oportunidade de escrever os artigos que fizeram com que eu solidificasse meus conhecimentos.

– Alexandre Ando(Mini-Oiso), Carlos Crevelloni(Carlinhos) e Marcelo Morastoni(TD) pelos treinos.

– Eduardo Borges, Thiago Saporito, Walter Perez e meu time de treino pelas alterações de ultima hora na minha lista.

– Svaldi e seu Staff pelo PTQ que depois de tanta confusão ocorreu na mais perfeita normalidade.

– Corvo, Golem e Bagé pela estadia.

Slops

– Para as passagens extras que gastei .

– Para as gaúchas que não me deram mole.


Decks to Beat Extended – Parte 2 – Por João Dannemann

Olá amigos!

Esta semana continuarei minha análise a respeito do extended. Os decks de hoje são Bant, UW e Fadas. Você pode conferir meu outro artigo se quiser dar uma olhada acessando AQUI.

Concluirei também minhas impressões sobre o formato e citar alguns decks “Outside the Box” que podem surpreender se forem muito menosprezados. Tudo isso para garantir que você leitor esteja preparado ao máximo para os PTQs que começam nesta semana já com o primeiro no sábado em Porto Alegre.

Direto ao assunto,  vamos começar pela estrela do Magic online nas ultimas semanas.

 

The Bant

 

Esta foi a lista que ganhou o ultimo PTQ online e foi bastante comentada nos sites americanos.

Este deck se baseia na explosão gerada por criaturas de mana, Birds of Paradise e Noble Hierarch.  Ele também conta com um kit de mágicas versáteis como: Qasali Pridemage, que coloca seus oponentes no clock e provem uma vantagem no mirror de baralhos fortalecidos pelas Sword of feast and Famine,  e o Bant Charm que é a principal ferramenta deste baralho. O medalhão tem todas as suas funções postas em prática desde sua anulação para as mágicas de remoção como também sua remoção de artefato e criaturas. Ou seja em uma carta que lhe permite lidar com os dois cards mais presentes e fortes do formato Cryptic Command e a Sword F&F.

Porém devido a base de mana ser construida em cima de criaturas você pode ter alguns problemas contra baralhos que estejam aptos a matar estas crituras durante os primeiros turnos. A minha expêriencia com este baralho não foi muito feliz. Durante os treinos eu me encontrava sempre com problemas de mana e meus topdecks era sempre Birds. Cade a espada nessas horas?

A dica para quem vai jogar com o baralho é pensar sempre muito na hora do mulligan. Este deck tem que agredir no começo. Com mãos lentas você pode acabar perdendo inclusive algumas partidas que em teoria são bem fáceis. Elaborar um bom plano para o mirror match é outra dica válida. As ferramentas mais comuns no online são Day of Judgment e Gideon Jura.

Para quem vai jogar contra o Bant fica a dica de focar suas remoções no começo de jogo nas criaturas de mana ao invés das agressoras. Você pode pensar em economizar para uma ameça real como um Knight of Reliquary, porém o tempo que se ganha ao forçar um Knight de quarto turno é ainda melhor. E se ele devido a uma decisão de mão inicial não tiver o terceiro terreno ele não conseguira conjura-lo, facilitando e muito sua vida.

Vamos falar agora de um vitorioso veterano.

 

FAERIES

 

A lista utilizada como exemplo é do jogador profissional francês Guillarme Wafo-Tapa. Ele tem obtido bastante sucesso online com ela.

Esta é praticamente uma lista padrão do fadas com excessão do grande número de Sunken Ruins e pela presença do Vampire Nighthawk no main deck.

Não sou nenhum Paulo Vitor para falar a respeito de fadas mas jogo com o deck desde suas primeiras versões, inclusive a UG. Este deck é simplesmente sensacional. Há algum tempo era quase impossível ganhar de fadas quando ele abria com descarte seguido de Bitterblossom. Contudo novamente nossa amiga Sword veio para bagunçar a estrutura do extended.

Ela fez com que baralhos que eram antigamente um bye para o fadas virassem problemas, como, por exemplo, o UW.

Uma dica para quem vai jogar com o baralho é treinar bastante. Sim parece meio óbvio mas é isso, só parece. O Fadas é o baralho que exige a maior preparação do formato. Ele possui uma variedade de jogadas e efeitos que são produzidos através da combinação do Cryptic Command e da Mistbind Clique. A preparação mental será essencial para os jogadores do fadas pois a maioria dos jogos tendem a ser tensos e decididos nos pequenos detalhes.

E aqui a dica para quem vai jogar contra que é basicamente a mesma da que passei para o jogador de fadas. Um dos pontos fortes do fadas é ser um deck muito difícil de se jogar com e contra. Lembres-se que você pode fazer a Bitterblossom jogar ao seu favor imprimindo uma pressão inicial. Há momentos em que é simplesmente impossível jogar em torno de todas as cartas do fadas, logo elabore suas estratégias visando a vitória forçando um ritmo maior do que ele pode conter. Não da para ser agressivo e defensivo ao mesmo tempo e enquanto o oponente se perde na indecisão aproveite para tornar a Blossom sua aliada.

 

E por último mas não menos importante

UW Mytic

 

Este baralho acredito que seja o mais completo do formato no papel. Ele tem soluções contra decks de criatura através de Day of Judment e Path to Exile, possui boas ferramentas contra fadas com Stoneforge Mystic e as espadas.

A mana deste baralho me assusta um pouco pois você precisa estar apto para usar mágicas que custam 1 mana azul, 1 mana branca, 2 azuis, 2 brancas e até algumas que custam 3 azuis. Em minha mente veio imediatamente a ideia de aumentar o número de terrenos que geram mais de uma cor, mas isso implicaria fortemente na perde de velocidade do baralho.

Peguei uma lista não tão comum de UW para ressaltar um fator que ao meu ver faz dele o melhor deck para se jogar. Você consegue com o pool de cartas disponível nessas cores solucionar qualquer problema que você encontre. Então ele é versátil. Diferente do fadas que tem resposta para tudo, o UW apresenta esse tudo na forma de uma diversidade grande de armas.

Problema contra o força bruta do RG Scapeshift? Safe Passage. Problemas com a Bitterblossom? War Priest of Thune. Problemas com as criaturas do Bant? Sower of Temptation.

Mas nem como nem tudo é um mar de rosas este UW também sofre de um problema bem comum em baralhos dessas cores. As cartas mortas.

Day of Judment é praticamente uma carta morta contra fadas no maindeck e também contra os decks de Scapeshift. Spell Pierce é muito ruim contra Elfos beatdown. E assim por diante.

Uma dica para quem vai jogar com o baralho é preparar a sua lista de acordo com o metagame que você espera encontrar. Obviamente isso não é simples e exige um pouco de experiência., ainda mais em eventos maiores e apresentam pessoas e comportamentos mais diversos, como os PTQ. Logo conversar com pessoas com mais vivencia de campeonatos grandes que você pode ajudar a ter uma visão mais “geral” de como potencializar a versatilidade do deck.

E a dica para quem vai jogar contra é sempre estar muito atento na hora do sideboard. O sideboard deste baralho varia muito e você tem que estar com a mente aberta para sidear de acordo com as cartas que você viu seu oponente usar anteriormente no game 1. Por isso treine e leia fontes de informação dos cards mais usados no ambiente extended nas listas do SIDEBOARD, pode parecer simples, mas como já se disse em inúmeros artigos jogos são decididos no segundo e terceiro jogos, onde o side entra. Veja listas e mais listas e tenha uma noção dos cards mais usados nos sideboard mundo a fora.

 

E com isso concluo minha  análise sobre os decks to beat do formato extended. O extended é um formato muito complexo e a principal dica quem vai jogá-lo sem conhecer muito é jogar com um baralho que você se sinta confortável. E para quem teve a oportunidade de se preparar de uma forma mais completa é a de escolher o baralho que mais se destacou em seus testes tentando manter de lado as preferências pessoais, pois é muito complicado para as pessoas sairem de sua zona de conforto, que é o que eu acredito que valha a pena nessas horas.

Minha divisão do formato foi um tanto quanto simplista quando disse que o formato é dividido apenas em baralhos de Combo e baralhos de SoFaF. É lógico que há outras opções, mas esta foi a maneira mais didática que encontrei para divir o formato. Entre outros baralhos que posso citar como viáveis são: 5cc, Grixis, Elfos beatdown, Naya, Jund, GW trap, Steel Affinity, Boros e Monored.

Alguns me perguntaram se eu havia descoberto alguma maneira de “solucionar” as espadas, mas realmente não achei nenhuma solução mágica (desculpe o trocadilho). Algumas jogadas simples como guardar o seu descarte para fazer logo em seguida à busca do Stoneforge Mystic do oponente ou utilizar sua Vedillion Clique em resposta à habilidade de baixar o equipamento de Stoneforge Mystic são ações razoáveis. Elas não seguem as atitudes padrões desses cards e por isso não são ações automáticas. E novamente é importante frisar que o treino é muito importante.

Espero que tenham gostado. Na semana que vem espero trazer até vocês um report sobre o meu desempenho no PTQ de Porto Alegre e que ele seja o de um top 8!

Abraços a todos!


Decks to Beat Extended – Parte 1 – Por João Dannemann

Olá Galera,

Como prometido estou aqui hoje para deixá-los por dentro do extended. E hoje com meu próprio avatar!!! Valeu Let’s Collect!!!

O extended neste momento pode ser dividido em duas partes: Os decks de Sword of Feast and Famine, ou SoFaF par abreviar, (Fadas, Uw e as variacoes dos decks verdes como Naya, Bant) e os decks de Combo (Elfos e as várias versões de Scapeshift).

A chegada da espada deixa o metagame extended muito complicado, pois ela causa um impacto muito grande nos dois principais arquetipos até então: Fadas e Scapeshift e transforma decks até o momento Tier 2 nos grandes decks to beat do formato. São eles o Bant e o UW.

Vou começar hoje falando dos decks de combo e deixando o melhor (Fadas, UW e Bant) para o próximo encontro.

Primeiro o deck campeão do último torneio grande do formato o Ugr Scapeshift. Abaixo a lista para referência:

Esta lista é baseada na interação entre Prismatic Omen e Valakut. Por se tratar de um combo de 2 cartas ela abusa dos cantrips (Preordain e Ponder) para garantir que você sempre encontre as peças de seu combo.

Scapeshift neste baralho não é uma ferramenta essencial, pois você não possui montanhas. Ele está ali para partidas em que você precise matar rápido ou matar no mesmo turno em que o Prismatic Omen entra na mesa para garantir que ele não seja destruído.

O sideboard deste deck possui um mix interessante de criaturas que ganham vida e Primal Command para solidificar a partida contra os decks de criaturas além de prover um Plano B contra possíveis decks com Memoricide.

Como todo deck de combo esta lista sofre quando você simplesmente não consegue achar as peças do seu combo e também nos jogos pós sideboard com os efeitos de Disenchant que são comuns. Porém tem a seu favor uma boa base de mana e devido ao fato de possuir contramágicas fica mais difícil pará-lo conforme o jogo se estende.

Dica para quem vai jogar com ele é tomar cuidado com os Cryptic Command de seus oponentes, pois o oponente pode permitir que você resolva seu Scapeshift e com as habilidades do Valakut na pilha devolver o Prismatic Omen para sua mão fazendo com que na hora da checagem as habilidades do Valakut pifem. Lembrando também que caso você possua uma contramágica qualquer na mão você deve adicionar as manas necessárias para ela antes de passar a prioridade para seu oponente.

Outra dica também para quem vai jogar contra ele é tentar ser o mais rápido possível. Conforme o jogo se alonga a vantagem fica toda com o Ugr.

Agora comentarei um pouco sobre o RG Scapeshift. Segue uma lista de referência:

Essa lista abusa da força bruta para ganhar seus jogos. Com mágicas de aceleração de mana e vários finishers o deck faz com que cada mágica a partir do turno 4-5 precise ser respondida imediatamente ou o jogo vira favoravelmente para seu lado.

Ao contrário de seu primo com azul, nessa versão o Scapeshift é o principal card sem dúvida. Com sete terrenos em jogo você pode fazer tranquilamente com que seu oponente sofra 18 pontos de dano num mesmo turno, o que normalmente é o suficiente para que o jogo termine. Qualquer fetchland usada nesse meio tempo por seu oponente é tudo o que você precisa para vencer.

Esta lista também abusa de um outro card muito interessante e usado mais recentemente em versões Standart dos Valakuts:  Oracle of Mul Daya. Este card faz com que o deck todo ganhe uma maior seleção dos cards (efeito similar aos cantrips azuis) e também devido a quantidade de montanhas na lista, ele pode se tornar uma kill condition, visto que dois ou três bolts por turno apressam as coisas do outro lado. A pressão em remover o oráculo do jogo e ainda impedir o Scapeshift juntos muitas vezes é grande de mais.

Um erro muito comum citado pelo criador desta versão nas listas até então utilizadas é a presença de Primal Command. Ele justifica dizendo que neste baralho, ao contrário da versão Standard, o Primeval Titan é apenas uma busca por uma finalização alternativa e não há  necessidade de você usar um feitiço para achar essa finalização que não é tão efetiva assim. Ele a substitui por Prismatic Omen e Oracle que faz com que seu deck ganhe mais ameaças de começo de jogo melhorando a partida contra os decks de Fadas.

Por não possuir azul esta lista tem como o ponto fraco ser um alvo fácil para counterspells. Seu plano contra decks de counters é jogar como um Tapout sobracarregando ele de ameças até que uma delas resolva e você ganhe a partida ou adquiria vantagem suficiente para não haver retorno do oponente.

O ponto forte é novamente uma sólida base de mana, apesar dos problemas com fontes verdes que ás vezes podem ocorrem, é sua força bruta que faz que os jogos contra os baralhos de criaturas sejam favoráveis. Dica para quem vai jogar com essa versão é focar sua preparação no sideboard. Esta lista foi montada para um metagame onde a espada ainda não era válida e logo se fazem necessários diversos ajustes para que o decks não se torne uma presa fácil dos novos baralhos.

Outra dica para quem joga contra o Scapeshift sem azul é estabelecer algum plano que mescle pressão inicial com algum tipo de disruption, pois se você basear seu plano apenas na agressão você será uma vítima fácil dos Volcanic Fallout e Obstinate Baloth comuns nos side dos RG.

E por último uma grata surpresa proporcionada pelas inclusões de Mirrodin Bessiged e também pela acensão dos baralhos de Stoneforge Mystic.  O Elfo Combo.

Segue abaixo uma lista utilizada no PTQ realizado no PT Paris:

Apesar de não serem tão comuns na versão online do Magic, acredito que pelo preço dos cards já que a versão aggro é muito difundida,  o Combo Elves seja a melhor versão deste baralho. Abusando do recém chegado Green Sun Zenith este deck ganha criando uma massa de crituras na mesa que serão fortalecidas através dos lords (Elvish Archdruid, Ezuri e Joraga Warcaller). Isto torna o baralho de criaturas num combo vulnerável a remoções em massa mas resistente a descartes e  spot removals.

Ainda não existe uma stock list (uma lista padrão que você precise de apenas alguns ajustes para ganhar torneios) e  isso faz com que, se esta for a sua escolha, você precise arregaçar as mangas e começar a trabalhar para chegar a uma lista realmente consistente e que seja viável em sua região.

Por exemplo, logo que olhei esta lista não concordei com algumas escolhas de cartas utilizadas pelo criador. Elvish Visionary já foi a melhor carta disparada do deck de elfo em suas versões do antigo Extended. Porém agora não vejo motivo para não usar Fauna Shaman neste deck.

Fauna Shama pode achar peças do combo como Heritage, Nettle ou transformar qualquer Elfo de Llanowar em Ranger of Eos no jogo longo.

Outra escolha que não me agrada é a utilização de Arbor Elf. Ele faz com que você não possa utilizar tantas fetchlands em sua base de mana que são muito importantes em decks rápidos para evitar o flood no jogo de longo prazo.

Quanto ao sideboard a utilização de Guttural Response não me parece a melhor opção possível. Em deck de criaturas normalmente não é correto utilizar cartas reativas no sideboard. Normalmente você prefere utlizar cartas proativas como, por exemplo, Gaddock Teeg e Vengevine para competir diretamente contra ameaças.

O ponto forte desse deck é poder jogar de diversas maneiras diferente dentro de uma mesma partida. Ele pode ser um agroo muito rápido no começo ou pode se tornar um combo poderoso. Isso faz com que jogar contra ele seja bem complicado. Já que suas escolhas de sideboard podem não surtir efeito no momento desejado.

Não tenho dicas de jogo para dar a respeito desse baralho pois ainda não tive tempo de testá-lo a fundo mas com certeza parece uma ótima escolha. Ainda mais para quem não tenha muito conhecimento do ambiente. Ele é tão explosivo que muitas vezes você verá seu oponente embaralhando logo depois de conceder,  e antes mesmo de saber se você ganhou ou não.

Bem, fico por aqui esta semana e espero ter ajudado. Apesar de ter mostrado para vocês listas um pouco manjadas acredito que ouvir os outros falar sobre as vantagens de cada baralho pode abrir a mente e ajudar na sua escolha para o próximo torneio.

Sintam-se a vontade para fazer perguntas e comentários no site. E lembrando que na próxima ocasião teremos mais Extended com enfoque nos decks to beat.

Abraços a todos João Dannemann


Preparação Pré-Evento – Por João Dannemann

Olá galera!

Para quem não me conhece meu nome é João Dannemann. No mundo não magic trabalho como Analista de Sistemas e no mundo do Magic sou um Grinder (denominação dada aos aspirantes a Pró-Player).

Fiquei muito orgulhoso em ser convidado pela Lets Collect para escrever artigos e decidi retribuir este favor falando das duas coisas que eu acredito serem meus pontos fortes neste jogo, que são: A preparação para Torneios e o formato Extended.

Irei neste artigo explicar como funciona o processo de preparação que eu costumo adotar para torneios construido.

Desde que fiquei sabendo as datas dos PTQ’s vi que pelo menos o de Porto Alegre eu conseguiria jogar e já começei a recrutar jogadores para viajar/treinar comigo.

Eu tenho um costume – bem comum aqui em Curitiba – que por sinal aprendi com o Rubes Campana (um dos meus grandes professores neste jogo)  que consiste basicamente em:  antes de começar a montar decks e playtestar matchups fazer um brainstorm com os jogadores que irão participar desta preparação e coletar idéias a respeito de formatos, opiniões sobre os decks, qual seria o deck a ser batido e qual seria a melhor maneira de se posicionar contra ele.

Com todos estes dados registrados escolhemos quais serão os primeiros decks – acredito que algo em torno de 5-7 dos melhores decks do formato é um número ideal – a serem testados. As listas base normalmente são retiradas do último “grande torneio” deste formato a ser testado.

Jogamos entre 6-10 partidas no main deck. Normalmente chamamos um número ímpar de jogadores para as sessões de treino, para que uma pessoa esteja de fora do jogo e possa ajudar a discutir um decisão difícil sem estragar o resultado da partida. Outro fator importante para amenizar o fator jogador das estatisticas é fazer com que cada jogador jogue uma metade da partida com cada deck. Vale lembrar que no treino quem ganha é pouco importante, o importante é que todos descubram o melhor deck para a disputa do torneio.

Para as partidas após o sideboard é interessante jogar o dobro das partidas que foram jogadas no main deck. É normal que num primeiro contato nem todos os jogadores saibam a maneira correta de sidear. Eu aconselho que os baralhos sejam sideados com as cartas de face para cima para que ambos os jogadores saibam o que esperar e para que possiveis erros na linha de raciocínio sejam eliminados.

Tendo em mãos os dados desta primeira sessão normalmente cada jogador já tem em mente a sua escolha. Caso seja necessário você pode repeti-lá com alguns outros decks.

Após isso, começa-se o treino para refinar estas listas, corrigir os problemas de mana, melhorar a porcentagem contra um jogo complicado. Quando começei a me preparar para os torneios, chegava nesta parte e não tinha muito a adicionar e os jogadores mais experientes se encarregavam disso. Hoje em dia eu passo a minha visão para os jogadores mais novos. Então o mais importante aqui é realmente treinar, e treinar, e treinar mais ainda. Pois somente com o tempo e com os treinos voce terá a experiência necessária para tomar as decisões desta etapa.

Lembrando que no meio destes testes podem surgir novas listas, estratégias de sideboard e etc. É sempre importante retroceder um passo e verificar a qualidade desta informação.

Lógico que este processo era muito mais simples de ser realizado enquanto eu apenas estudava. Porém, se um mês antes do torneio você começar a realizar treinos duas noites por semana e um dia do fim de semana (tarde+noite) há tempo suficiente inclusive para dois ciclos de testes e possivelmente será uma preparação adequada.

Apenas para exemplificar: em todos os PTQ’s da temporada passada em apenas um desses eventos eu não realizei este processo de testes e fui premiado, devido a essa batelada de treinos, com resultados muito bons, fazendo TOP 8 em todos os formatos da temporada e inclusive ganhando a vaga para meu primeiro PT.

Espero que o conhecimento deste processo possa ajudá-los como ajudou e vem me ajudando a obter bons resultados.

Até o próximo artigo quando falarei sobre Extended.