Jornada das Novas Estrelas – Por Carlos “Jabs” Romão

Duas semanas de longe de casa.

 

Nova Iorque, Paris, Miami e Denver. Infelizmente tudo que é bom acaba. Foram três campeonatos durante esse período, um Pro Tour e dois GPs Paris e Denver. Nenhum resultado que me faça ficar orgulhoso, porém o contato com a elite do Magic mundial e as pessoas que ficaram comigo durante a viagem fizeram tudo isso valer muito a pena. Apesar da minha derrota pessoal, a comunidade brasileira de Magic viu duas figuras que já se encontram sob os holofotes se destacarem e ganharem mais luz própria. Dois Eduardos, um Borges e o outro Vieira se destacaram muito nesses últimos campeonatos. Na verdade, Eduardo Borges e Eduardo Vieira não existem no meio do Magic. Os jogadores que nós conhecemos se chamam “Shooter” e “L1xO”. O primeiro vem ganhando PTQs regularmente. O segundo é o Player of The Year do Mol e fez parte da seleção brasileira de 2010.

A estrela do “Shooter” brilhou em Paris. Foi a primeira vez que tivemos um Pro Tour e um Grand Prix no mesmo fim de semana e esse menino soube usar isso ao seu favor, acabando dentro da premiação no Pro Tour e top16 no GP, o que lhe garantiu um lugar no PT Nagoya e a chance de continuar sua ótima temporada no Japão. Apesar de ter jogado de Monored no PT, ele conseguiu extrair o máximo que pode do deck e simplesmente destruiu no Draft. No GP, ele continuou o bom trabalho no limited e com oito Pro points eu vejo uma possibilidade muito grande desse jogador se tornar mais um Pro Player brasileiro ainda este ano. Eu espero que ele não esbarre nas questões financeiras ou em qualquer outra coisa que possa atrapalha-lo. O L1xO (ou Lixo, porque eu não aguento escrever desse jeito toda hora) realizou seu sonho e conseguiu seu primeiro grande resultado internacional. Com um Top8 em Denver, ele entrou com força no cenário do Magic profissional Irl, objetivo principal de sua vida esse ano. Eu já conhecia o Lixo de outros carnavais, mas essa viagem me deu a oportunidade de me aproximar mais dessa pessoa alegre. Esse dançarino parece ter uma alegria inabalável. O poder do sertanejo finalmente achou seu caminho no Magic. Beach, Lixão! (piada interna!)

Além de apresentar ao mundo esses dois novos jogadores, essa jornada mostrou que eu ainda tenho muito que aprender nesse jogo. Dois dias foram suficientes para eu entender que minha visão do jogo está incompleta e que eu preciso me esforçar um pouco mais para atingir o que eu quero de novo. Como eu disse nos artigos/diários anteriores, eu passei dois dias jogando com o grupo da ChannelFireball. Eu não me enturmei muito, mas consegui conversar com os poucos jogadores que eu tinha algum contato já. O potencial do PV eu já conhecia, porém a dedicação e a capacidade dos outros foi algo novo para mim. Eu não achei que estivesse muito atrás deles e esse período foi muito bom para me colocar no meu devido lugar.

Pro Tour  Paris

Eu tinha uma expectativa muito boa em relação ao Pro tour. Dispondo do melhor deck T2 daquele torneio, minhas chances de um bom resultado eram muito boas. O primeiro dia provou que eu estava certo e por um erro infantil na última rodada eu acabei 6-2. Eu estava jogando a ultima rodada contra a estrela japonesa Shouta Yasooka para decidir quem fecharia a mesa de draft e acabaria o primeiro dia em ótima posição. O jogo estava 1-1 e eu tinha uma Elspeth Tirel na mesa que tinha acabado de usar a habilidade de destruir tudo que não fosse token ou terreno. Ele ficou sem nada na mesa, eu tinha três tokens e conjurei uma Sword of Body and Mind, equipei e ataquei. Como vocês podem ver, eu tinha controle total da mesa, uma vantagem absurda, ele tinha perdido tudo na mesa e dez cards do grimório. Eu passei e ele comprou um Razor Hippogrif, voltando um Sylvok Replica. Eu ataquei com minha criatura equipada para força-lo a usar a Réplica imediatamente, usei um Arrest no Grifo e desci um Mirran Spy para ter certeza de que eu não perderia a Elspeth.

Nesse momento ela tinha três counters e a chance de sobreviver era de 99,99%. Digo isso porque só um erro imbecil de minha parte seria capaz de fazer o planinauta perecer. E foi o que aconteceu. Ele comprou outra Replica, destruiu o Arrest e atacou. Eu tive um apagão e simplesmente enterrei a Elspeth. Eu tinha outras criaturas voadoras na mão e seria impossível perder a Elspeth depois daquele turno. Mesmo assim eu achei que iria ganhar, pois tinha a vantagem de cards na library e o jogo estava completamente travado. Mais um engano. Ele comprou um Grindclock e esse artefato definiu o destino do meu primeiro dia. Caso minha querida Elspeth estivesse na mesa, eu teria infinitos counters nela e a possibilidade de usar várias vezes a habilidade “ultimate”. O resultado de 6-2 estava longe de ser ruim, mas eu tive o 7-1 em minhas mãos. Caso eu não tivesse sofrido o apagão, estaria em uma posição muito boa para o segundo dia. Mas antes de continuar a falar do PT e do segundo dia, eu vou postar aqui um link com a lista do campeão. O deck dele é idêntico ao meu, tendo em vista que a lista nasceu do pessoal da Channel.

UW AggroCAW

Eu acredito que esse deck esteja com seus dias contados. Apesar de ter feito um enorme sucesso no Pro Tour, o Deck sofre com sideboards preparados contra ele. A questão é que um simples Naturalize ou mesmo algumas remoções de criatura acabam anulando a eficiência do deck. O mirror também pode ser algo desagradável. O Stoneforge Mystic é essencial no segundo turno, assim como a bitterblossom era para o fadas (comparação que foi feita durante o Pro Tour) e no caso do mirrors é o que acaba decidindo o jogo. O fator surpresa ajudou muito no sucesso do deck, mas não espero muito mais dele. Apesar de não acreditar em futuras vitórias do deck (espero que eu esteja errado, pois adorei demais jogar com esse UW aggrocontrol), eu acredito no Stoneforge Mystic. E ele não vai ser sucesso somente no T2. Acho que o T4 e Legacy irão se render ao seu talento. O card fica mais forte a cada set que lançam. O arsenal de equipamentos disponível nos dias de hoje é incrível. Nem o senh or Obama tem isso a sua disposição.

Voltando ao Pro Tour, durante a madrugada do primeiro dia para o segundo, eu sofri um problema de saúde. Isso prejudicou o meu sono e eu comecei o segundo dia cansado e estressado. Isso não é uma desculpa para meu desempenho ridículo, porém o problema me fez dropar do torneio depois de jogar cinco rodadas e ainda com chance de fazer top64 e ganhar alguma premiação e mais pro tour points. O meu segundo draft foi um Infect BG bem abaixo dos padrões aceitáveis.

Eu ganhei a primeira partida porque meu oponente cometeu, na minha opinião, alguns erros. Mais tarde ele visualizou isso e veio conversar comigo. Só para lembrar, meu oponente em questão é a estrela de pôquer internacional Noah Boeken. Eu já o conhecia de outros tempos. É engraçado dizer isso, mas quando eu lembro da época os mesmos eventos ele, Kai Budde e Finkel jogavam, eu percebo que sou a “Old School” do Magic atual.

O deck do Noah Boeken era o mais forte dos três que eu enfrentei, mas infelizmente, mesmo ganhando do que havia de melhor naquele draft, eu comprei muito mal contra o RW que eu joguei na segunda rodada e no mirror de infect BG seguinte, o Mortarpod provou ser muito bom nesse arquétipo. Ele ganhou os dois jogos a favor do meu adversário. Dano infect sem poder ser bloqueado é algo muito injusto.

Uma coisa que eu percebi nesse novo draft é que os dinossauros nunca fizeram tanto sucesso. Quem achou que eles estavam extintos precisa rever seus conceitos. Eu estou revendo os meus. Nunca gostei de usar muitas magicas de seis manas ou mais. Ainda mais quando são criaturas que não fazem nada além de atacar. O problema é que esse ambiente pede isso. Você gasta a maioria dos seus recursos em criaturas menores, tentando equilibrar a mesa e de repente aparece um ser de seis manas, grande e gordo, que vai aterroriza-lo até o final do jogo. Eu não gosto dessas criaturas, mas eu odeio mais perder, então serei obrigado a conviver com isso. Maldito Jurasik Park.

O dia tinha começado muito mal e ainda por cima fui emparceirado com o PV, um mirror para minha sorte. Eu já estava esgotado, com sono e o PV simplesmente passeou durante nosso jogo. Não teve que se esforçar para ganhar. Era o meu terceiro mirror no torneio e já não aguentava mais quando os pairings me deram de presente o quarto. Com mais um derrota, eu resolvi dropar e descansar para ver se conseguia jogar o Grand Prix no dia seguinte. Esse foi o resumo do meu PT Paris. Na verdade esse artigo fica como a terceira parte da minha saga em Paris. O começo já foi retratado nos meus Artigos/Diário que eu escrevi durante o período de treinos com o pessoal da ChannelFireball. Eu não sei se vocês gostaram desse formato “diário”. Eu gostei muito de apresentar os torneios desse jeito, e gostaria de um feedback da galera para ver se essa forma agradou.

No Próximo artigo eu vou falar do GP Paris e do GP Denver, assim como do release de Mirrodin’s Besieged que está acontecendo no mol. O que esses assuntos têm em comum? O temido selado de Scars of Mirrodin/ Mirrodin’s Besieged. Até o próximo post!

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E o escolhido foi… – por Carlos “Jabs” Romão


Olá, leitores Let’s Collect.

Terça-feira, dia 08 de fevereiro, Paris, França, Hotel Espace Champerret. Um grupo de jogadores de Magic tenta quebrar o ambiente mais complicado dos últimos tempos. Um observador externo, também conhecido como “infiltrado” pelos seus colegas brasileiros, tenta entender tudo que está acontecendo e relatar umas das melhores experiências que essa pessoa já teve no meio do Magic.

Voltando um pouco ao normal, a terça-feira começou um pouco tarde para todos que estavam no hotel. O pessoal dormiu mais do que o esperado e o dia só começou depois de um belo “Kebab” com fritas (uma iguaria que deveria ser apreciado por todos pelo menos uma vez na vida) e alguns jogos sem muito compromisso, só para aquecer.

O grupo estava dividido entre dois decks, Valakut ou UW. A maioria não queria jogar de Valakut porque o “mirror match” é simplesmente decidido em quem compra melhor. Você não tem como interferir no jogo do seu oponente. A sua única chance é ser mais rápido e conseguir ativar seu Valakut antes do oponente. Algumas ideias como Memoricide no “sideboard” foram colocadas em discussão, mas nada parecia ser bom o suficiente para justificar uma superioridade no mirror.

O UW estava tendo bons resultados contra o Valakut, especialmente porque a versão nova incluía três copias do Stoneforge Mystic e uma cópia do card Sword of Feast and Famine. Essa combinação era o pesadelo do Valakut, pois quando você conseguia jogar o Stoneforge no segundo turno, no quarto você tinha uma criatura que não podia ser bloqueada, causa com certeza três de dano por turno, podia fazer a maioria das suas magicas de “graça” devido ao efeito de desvirar terrenos e ainda forçava o oponente a descartar um card. O Valakut tinha que mudar drasticamente sua forma de jogar, não podendo mais montar sua base de mana para inutilizar os Mana Leaks e Spell Pierces. Era como empurrar o Valakut para o precipício.

O UW agradou muito a maioria dos jogadores. O único problema foi que ao mudar um pouco a lista, o deck perdeu a força contra o monored e o BR vampires. Os cards sacrificados para a entrada do novo plano contra o Valakut foram aqueles que faziam o jogo contra os outros decks serem mais equilibrados. Isso desagradava uma ala do grupo que já não estava confiante no UW, mesmo com os bons resultados.

Todas essas questões pareciam complexas demais, tempo demais sendo gasto no T2, mas não poderíamos esquecer que o campeonato teria  algumas rodadas de draft e a maioria do grupo não havia tocado em nenhum card de Mirrodin Besieged até então.  A solução para esse problema parecia óbvia e todos partiram para a mesa do café da manhã, packs na mão, prontos para draftar um pouco.

Eu montei um deck UB infect/Proliferate. Esse arquétipo é mais fraco que o Infect BG normal, mas eu tinha conseguido bons resultados no Magic Online no antigo draft de Scars e resolvi testá-lo nesse novo formato. Eu imaginei que a abundancia de criaturas infect no booster de Mirrodin Besieged iria me ajudar e eu poderia aproveitar alguns cards pouco draftados como Steady Progress no booster de Scars. O plano seguiu mais ou menos como eu queria, uma base de criaturas infect boa, 3 steady progress, 1 Sword of Body and Mind e 2 Grasp of Darkness.

A primeira partida foi tranquila, eu joguei contra o irmão do Brad Nelson, o Cory se eu não me engano, uma pessoa muito simpática e amigável. Foram duas partidas tranquilas, seu deck estava abaixo dos padrões e eu consegui controlar ambos os jogos com um card fantástico de Mirrodin Besieged chamado Vedalken Anatomist. O card fez grande parte do trabalho de segurar e destruir a maioria das criaturas do oponente, além de contar com a ajuda do Steady Progress em várias ocasiões.

O segundo jogo foi contra o clássico BG infect. O deck dele era melhor que o meu, muito rápido, tinha perdido a primeira por uma questão de azar aliada a algumas decisões erradas. Eu não consegui comprar o Vedalken, nem a Sword e acabei sendo dominado durante os dois jogos. A questão da velocidade e dos “pumps” acabou fazendo toda a diferença. Esse jogo só me fez entender mais ainda a superioridade do BG infect sobre o arquétipo que eu tanto gosto. O problema é que eu sou cabeça dura e tenho um amor incondicional pelo Steady Progress, o que me faz ainda acreditar nesse arquétipo. Espero não ser dominado pela emoção durante o Pro Tour e acabar fazendo UB infect de novo.

A terceira partida foi uma das mais rápidas da minha vida. Apesar de ter jogado três “games”, todas foram resolvidas muito rapidamente. Na primeira eu abri de segundo turno Plague Stinger, terceiro turno Sword of Body and Mind, quarto turno equipa e pronto. No segundo ele começou com uma excelente curva, fazendo mágicas do segundo ao quinto turno, enquanto eu olhei passivamente o jogo acontecer com dois terrenos na mesa. No terceiro “game”, eu comecei com Iroclaw Myr, sword of body and mind, equipei, ele faz um bloqueio para não deixar a Sword ativar, eu infelizmente não compro mais terrenos durante o jogo todo e perco para dois Razor Hippogriff.

Com certeza 1-2 não era o resultado que eu esperava para meu primeiro draft com Mirrodin Besieged e eu acabei aprendendo muito pouco com ele. Apesar da desilusão que tive com o UB, o draft não acrescentou nenhuma informação relevante no meu limitado banco de dados desse formato limited (desculpem o trocadilho)

Ela faz umas espadas muito boas mesmo!

Como já estava tarde, resolvemos procurar um lugar para comer e relaxar um pouco. Depois de muito tempo eu vi essas pessoas falarem de assuntos que não eram relacionados com Magic. Foram contadas várias histórias de diversos jogadores, muitos que eu não conheço (vocês podem ver que eu não sou muito bom com nomes) e eu conversei um pouco com o editor chefe da Starcitygames, Steve Sadin.  Ele é uma pessoa muito simpática, atenciosa e, apesar do “jetlag”, conseguimos conversar durante o jantar. Espero que algumas ideias que ele me passou possam ser colocadas em pratica no Magic brasileiro.

No dia seguinte era dia de mudar de hotel, então todos acabaram voltando antes para os seus quartos, arrumar todas as coisas e deixar para decidir a lista durante a inscrição do pro tour.

Com certeza aprendi muito durante esses dois dias. Quando você olha de perto todos os métodos e teorias usados durante esse treino e a capacidade das pessoas envolvidas nesse processo, você entende porque esse grupo é bem sucedido no cenário do Magic internacional. Eu contei por cima, mas acho que era mais de vinte top8s de Pro Tour reunido em um grupo de onze pessoas. Isso é algo muito significativo e espero poder estar na próxima reunião para aprender mais do que nessa vez.

*PS: Para completar esse texto foi claramente escrito antes do primeiro dia do evento que ocorreu hoje. Nossa caro Carlos “Jabs” jogou de UW e fez um impressionante 4-1 e no Draft (ainda não tivemos tempo de conversar com ele mais profundamente) ele fez 2-1. Garantiu sua presença no segundo dia do evento e esta no momento na posição 40 do standings do evento após a oitava rodada.


Pro Tour Paris: O infiltrado – por Carlos “Jabs” Romão

Bonjour, leitores Let’s Collect.

Depois de vinte horas dentro de um avião, algumas horas em Nova Iorque e muitos drafts de Scars, eu cheguei a Paris. A cidade irá sediar o primeiro Pro Tour da temporada 2011 e será o meu primeiro evento depois da vitória no campeonato mundial de Magic Online. Isso é muito importante para mim, pois pretendo manter o nível de qualidade dos resultados e estou com uma expectativa muito boa em relação ao torneio.

Eu não tenho duvidas que grande parte dessa expectativa esteja relacionada com o fato do Paulo Vitor ter me encaixado no grupo de treino da ChannelFireball/Starcitygames. No final de dezembro, eu consegui falar com o PV e pedi para participar da reunião que esse grupo faz religiosamente em todos os Pro Tours. Fiquei muito feliz ao saber que não havia objeções e que eu teria a chance de conhecer melhor e trabalhar ao lado do melhor e mais bem sucedido grupo de Magic da historia recente. Eles sempre chegam alguns dias antes do Pro Tour e começam a respirar e comer o jogo até a última rodada do campeonato.

Dessa vez o grupo tem dez jogadores. Entre eles estão os praticamente desconhecidos Paulo Vitor, Brad Nelson, Luis Scott Vargas, David Ochoa e Brian Kibler. O resto do grupo ainda é formado por jogadores de rosto familiar, mas que eu ainda não sei os nomes. Eu aposto que até o final dessa série de artigos sobre o Pro Tour Paris, os nomes estarão na ponta da minha língua.

Quando eu cheguei ao hotel, o grupo já estava reunido no restaurante tomando café da manhã e apesar de todo o aparente barulho que eles estavam fazendo, eu acabei não escutando ninguém e fiquei sentado no lobby até eles me encontrarem. Alguns apertos de mãos, saudações e logo em seguida o Magic já estava em primeiro plano. Foram longas horas de jogos, Valakut vs UW, Monored vs Valakut, Tezzeret vs UB e algumas varias seções de “Brainstorm” sobre possíveis novos decks ou diferentes “buildings” de um deck. Esse foi o ponto que mais chamou minha atenção: Esses jogadores não se limitam a jogar, achar o melhor deck e pronto. Eles querem inovar, eles querem destruir o formato, entende-lo e caso isso não seja possível, se conformar e voltar a jogar com os decks já existentes.

Minha participação nesse primeiro dia foi nula. Eu tenho amizade com o PV, mas os outros jogadores são pessoas que eu conversei no máximo uma ou duas vezes durante os torneios. Eu não queria chegar “chegando”, mas acho que poderia ter interagido um pouco mais. Outro fator que não ajudou foi o cansaço. Foram vinte horas de voo, quase duas horas de metrô com uma mala pesada e várias escadas para subir. Eu cheguei ao hotel destruído e não pude dormir, pois não queria passar a impressão errada de que estava ali apenas para roubar ideias.

Uma coisa que me impressionou é o nível de concentração e dedicação que eles têm durante o período de treino. O assunto sempre é Magic, nada de futebol americano, corridas ou qualquer outra coisa que não seja relacionada com o jogo. Em certo momento, um deles perguntou quem tinha ganhado o Super Bowl, outro jogador simplesmente responde o nome de um dos times e eles voltam a conversar sobre Magic. Tendo em vista que se trata do esporte mais famoso dos Estados Unidos, eu achei estranho a conversa não evoluir pelo menos um pouco. Se fosse um grupo de brasileiros falando sobre a final da libertadores ou da copa do brasil, eu tenho certeza que pelo menos o assunto renderia meia hora de discussão. Essa atitude, misturada com o que eu vi no resto do dia, me fez entender a razão desse grupo estar dominando o Magic a algum tempo.

Outra coisa que acontece muito é durante o intervalo dos jogos, o pessoal se reúne e começa a fazer uma sessão de “brainstorm” sobre certo deck, card ou estratégia. Isso é algo muito produtivo, pois eles sempre têm ideias interessantes que são postas em prática nos jogos seguintes. A evolução diária dos decks e estratégias é perceptível.

Eu estou impressionado e admirado com todo o trabalho desse pessoal. Pode parecer que eu estou “babando” ovo para eles, mas na verdade eu estou é impressionado com tudo que esta acontecendo aqui. Eu não vou conseguir expressar em palavras minha felicidade de fazer parte disso. Infelizmente, a única coisa que me pediram foi sigilo então eu irei esperar o pro tour acabar para detalhar melhor tudo que foi conversado durante os dias de treino. Nessa primeira parte do diário, eu vou apenas passar uma ideia do que está acontecendo e tentar deixar claro como funciona todo esse processo final de treino. Acho melhor eu parar de endeusar eles e voltar para o treino.

Obrigado e até amanhã. e curtam um pouco a musica:

Música Tema dos Infiltados


Passando por maus bocados – por Carlos Romão

Olá leitores da Lets Collect.

Bem-vindos a 2011.

Eu gostaria de pedir desculpa a todos pelo repentino sumiço, mas era algo que eu necessitava e que eu já tinha planejado. Eu precisava de umas férias do Magic para recarregar todas as energias que cercam esse jogo. Também precisava parar e repensar sobre qual seria minha posição em relação ao jogo nesse ano. Foi durante esse período que surgiu a ideia de escrever esse artigo.

O ano de 2010 foi o pior da minha carreira desde o meu título mundial em 2002. Ele acabou muito bem e poderia esconder todos os erros que cometi durante a temporada, mas felizmente minha autocritica é bem alta e eu sei que tenho que mudar muitas coisas para conseguir fechar temporada de 2011 perto ou do jeito que eu quero.

O titulo de campeão mundial online de Magic veio no momento que eu mais precisava de moral no jogo. Meu último grande resultado tinha sido um top8 no GP Washington em abril e durante os oito meses que separaram esse torneio do mundial, eu sofri com derrotas atrás de derrotas. Não consegui fazer segundo dia em nenhum Grand Prix ou Pro Tour que participei e eu percebi que isso tudo estava afetando meu jogo. Em determinado momento no mundial, eu acabei escolhendo meu deck baseado no meu medo de fazer menos que 3-3 do que nos meus treinos. Esse foi o ponto culminante. Eu tinha que mudar minha postura no jogo.

Minha reflexão me levou a entender que eu estava dominado pelo medo e pela falta de confiança. A questão foi que esses dois problemas não surgiram do nada. Eu tinha que achar a razão, o gatilho que iniciou todo esse processo foi quando eu lembrei de uma conversa que eu tive com o Willy Edel no GP Nashville.  Ele estava falando da sua temporada ruim, de como estava entendendo o formato, mas, por alguma razão, o jogo não fluía. Uma palavra saiu da boca dele e eu acabei não notando no momento quão importante ela poderia ser. Ele disse que o problema era a variância do jogo, que em certos momentos ela é negativa ou positiva. Somente um mês depois dessa conversa, eu entendi que eu estava passando por um momento de variância negativa e isso foi o suficiente para atrapalhar questões psicológicas que são vitais para o jogo.

Para o que querem entender o que o termo variância significa colo aqui a explicação técnica:

Na teoria da probabilidade e na estatística, a variância de uma variável aleatória é uma medida da sua dispersão estatística, indicando quão longe em geral os seus valores se encontram do valor esperado. Ou seja a probabilidade. Se ela for favorável a você costumamos chamar de “Boa sorte” ou apenas “sorte”. Se ela for negativa, ou contra o que esperamos, ou longe demais do que gostaríamos que fosse costumamos chamar-la de “má sorte” ou “azar”.

Você deve estar se perguntando que horas são agora e se isso não é texto de novela, já que começou o chororô, e ele está grande, mas eu precisava dessa introdução para o assunto que eu vou abordar nesse artigo. Na verdade serão dois assuntos, a questão da variância no jogo e a questão do psicológico. Como eu disse anteriormente, eles estão interligados e uma afeta a outra.

A questão da variância é vista em vários tipos de jogos. De todos os jogos que eu conheço, Magic é o mais complicado de todos.  Tudo começa quando você escolhe um deck, coloca alguns cards e tira outros, o emparceiramento, que tipo de deck você irá jogar contra, a seqüência de cards que virão, como o oponente joga e outros fatores que influenciam o jogo. Simplesmente basta uma coisa sair errada e você terá um resultado negativo. Seu poder sobre isso é muito grande, mas esse jogo pode ser ingrato e mesmo com todo o seu esforço, as coisas irão sair de um jeito ruim.

Você está à mercê desses fatores e eles podem surgir de maneira positiva ou negativa. Todos os jogadores sofrem disso. A comunidade do Magic sabe que jogadores como Paulo Vitor e Brad Nelson dominam os fundamentos do jogo e dificilmente erram enquanto estão jogando. Mas mesmo eles sendo “jogadores perfeitos”, eles não estão presentes em todos os top8 dos torneios que jogam. Apesar de terem resultados constantes, eles fazem 0-2 em alguns torneios. Isso não aconteceria em um jogo que não está sujeito a variância, onde o melhor jogador sempre vence. No Magic a variância às vezes nivela o melhor jogador com outro menos capacitado e ambos têm condições de saírem do jogo com a vitória.

Os treinos, conhecimento no jogo e outros fatores diminuem a variância, mas não acaba com ela.

Passar por um momento positivo é fácil, você esta sempre ganhando, acha que não tem nenhum problema e continua com a moral muito alta. O ponto crucial é quando a maré muda e você começa a ter problemas, comprar errado e acaba não entendendo o que está acontecendo. Algumas pessoas vão colocar a culpa na “sorte” dos outros, outras irão culpar o jogo que é injusto, algumas irão dizer que o mundo conspira contra tudo que ela faz e as pessoas sensatas irão refletir sobre o que está acontecendo e tentarão entender se é somente uma má fase ou sua visão sobre o jogo precisa ser revista e seus métodos de treino e de jogo são falhos.

O problema é que às vezes essa fase ruim é só o começo de algo pior. Sem manter a paciência, reflexão e o bom senso, tudo que está acontecendo pode coloca-lo em uma situação muito difícil. Seu psicológico pode ser afetado e esse é o primeiro passo para que uma fase ruim se torne uma coisa muito ruim. Quanto mais você perder a calma e deixar os maus resultados influenciarem suas decisões, mais essa “areia movediça” vai te puxar e depois de um certo ponto, não tem mais volta.

Eu li em uma matéria de jornal que a raiva e frustração influenciam no QI de uma pessoa. Quando estamos nervosos, nosso raciocínio é afetado, dificilmente conseguimos pensar direito e sair da situação que nos encontramos. Imagine essa reação te afetando durante uma partida de Magic. Você precisa pensar turno por turno, mas a raiva te impede e tudo que você lembra é aquela partida anterior onde seus terrenos se recusaram a aparecer. Isso tudo só ajuda o seu oponente. Você precisa de controle, algumas vezes se desligar um pouco do jogo para esquecer a última partida e focar na seguinte. Todos os grandes jogadores que eu conheci são calmos ou tem alguma mecânica para extravasar suas frustrações e chegar “zerados” na próxima partida.

A melhor maneira de passar por uma fase ruim com um psicológico forte é a reflexão. Se você está fazendo tudo certo e mesmo assim não consegue alcançar o que planejou, acalme-se, em pouco tempo isso muda e você irá colher os frutos do seu trabalho. Como a maioria das coisas, Magic é um jogo que recompensa no longo prazo. O jogo é complexo, exige muito mais do que entender de regras para se jogar muito bem.

Eu espero que minha fase ruim tenha passado, mas não posso ficar esperando sentado. Tenho que estar afiado nos outros quesitos para aproveitar a mudança de variância. No último mês, o tempo que eu tenho dedicado ao Magic aumentou muito. O meu objetivo é jogar o Pro Tour Paris perto do meu ápice e tentar sair desse campeonato com um ótimo resultado. Caso a fase ruim tente me impedir, eu terei a certeza de que fiz o melhor. Eu sempre tento fazer o que eu julgo ser a jogada mais certa naquele momento e deixo a recompensa para o destino.

Esse artigo foi mais voltado para jogadores que pretendem levar o Magic como competição e não apenas como diversão. As informações que eu passei aqui são o começo de algo que eu pretendo aperfeiçoar e, como consequência, voltar a escrever no futuro. Como eu disse, o Magic é um jogo complexo e tem varias áreas que precisam ser mais estudadas e divulgadas.

Eu não tenho formação psicológica apesar de gostar muito dessa matéria.

Se algum psicólogo/jogador quiser me ajudar, ficarei muito feliz. Eu gostaria também de discutir esse assunto com vocês e espero receber vários comentários para poder desenvolver o assunto.

Obrigado e até a próxima!

* PS: Um de nossos leitores, deu sua co

ntribuição no comentário como está bem legal resolvemos inclui-lo aqui no texto diretamente para todos possam le-la. Obrigado Walter!

Ótimo artigo!

Sou Psicólogo e jogador, tentarei opinar =P

A questão da variância é ESSENCIAL para a assimilação do jogo. Na minha concepção, eu creio que entender a variância ajuda drasticamente nos resultados finais. O Magic é mais do que nada um jogo de escolhas, e somos premiados desta maneira A LONGO PRAZO. Eu costumo dar o exemplo de que considerando uma situação X de um jogo, fazemos uma jogada em que, 55% das vezes somos favoritos, e 45% perderemos. Como bem sabemos, as jogadas estatisticamente não acontecerão de forma uniforme, e pode muito bem que num mesmo dia, aconteça SOMENTE a parcela negativa da nossa decisão, o que abala E MUITO nosso psicológico, deixando em questão sobre nossas habilidades, como o Jaba disse. Assim, se você não tem noção da variância, vai achar que aquela jogada não tem potencial, tendo maior probabilidade de aceitar que você está fracassando, e maior propensão a perder a racionalidade, deixando que a emoção aflore, desestabilizando seu “A game”. Eu fiz meu TCC da faculdade baseando esse fator em jogadores de futebol profissional, e tenho artigos também sobre o tema, alguns até sobre Poker/Magic, falando por vezes de técnicas e de como agregar a psicologia ao desporto. Se alguém tiver alguma dúvida, fico a disposição para tentar saná-la =D


Postagens de Fim de Ano e Mundial 2010

Aviso Importante:

Olá caros clientes.

Devido ao grande volume de vendas nesse fim de ano, em época natalina, alguns pedidos confirmados entre 12/12 e 15/12 podem sofrer pequenos atrasos para o envio. Este aviso esta sendo veiculado conforme orientação dos próprios correios.

Contamos desde já com a compreensão de todos e agradecemos antecipadamente por comprar na Let’s Collect.

Att.

Pedro Motta

Coordenador Geral

Let’s Collect Brasil

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Mundial 2010 – Chiba Japão

Esse final de semana foi bem agitado para todos as “corujas” do Magic. Ocorreu o Mundial de Magic 2010, o que incorreu um fato horripilante para que queria acompanhar tudo passo-a-passo o evento começava lá pela 10 da noite, e ia madrugada adentro. Nós da Let’s devido já ao grande número de coberturas, inclusive da Ligamagic, com comentários e post, cobertura da Wizards oficial, etc. Decidimos apenas no dia seguinte ao evento postar algums informações mais relevantes, decks vencedores, algusm fotos exclusivas, entre outras coisas.

Entre as coisas mais importantes, fora claro a vitória de Guillaume Matignon da França que derrotou o amigo e compatriota Guillaume Wafo-Tapa pode 3×1 numa disputa Mirror de decks UB (azul e preto) na final do campeonato Mundial. A vitória de Matignon causou o empate com Brad Nelson pelo título de Jogador do Ano (Player of the Year ou PoY) e que será decidida apenas ano que vem numa partida simples no Pro Tour PAris. E a República Slovaca derrotou a Australia pelo título do Mundial de Equipes.

O Brasil dessa vez ficou bem atrás ficando em 35ª posição entre 57 equipes.

35 Brazil 86 9 Eduardo dos S Vieira (30) Eduardo Lopes (19) Rafael Zaghi (28)

Existe uma dezenas de videos com jogos, entrevistas e recaps do mundial alguns links legais:

Standings Finais com premiação e pontos profissionais

Listas Top 8 Standard (Tipo 2)

Cobertura de Fotos Oficiais

Download Video Finais

Download Video Semi Finais

Download Video Quartas de Finais

Download Video Final MOCS

Seguem agora os fatos mais importantes:

Um parabéns gigante para o PV, Paulo Vitor Damo da Rosa, um dos maiores jogadores do Mundo e claramente o maior expoente do Magic Brasileiro em terras gringas. Ele esse ano foi o máximo. E por uma única derrota, no Top 8 do Mundial deste ano ele acabou perdendo o título de Jogador do Ano. Pois se ele chegasse a final do Top 8 ele passaria em pontos todos os outros concorrentes. Mas mesmo com essa derrota, ele é sem dúvida o grande vencedor brasileiro, sedimentando seu lugar para todo o sempre como um dos maiores do mundo. Parabéns PV por sua conquista, pois ele é muito merecida.

Outro ponto bem legal, pelo menos para a Equipe de jogadores da Let’s Collect, nosso caro Carlos “Jabs” Romão ganhou o MOCS. É a final do Magic: the Gathering On-line Mundial. Depois de diversas seletivas realizadas apenas on-line, doze jogadores foram selecionados para realizar a final do MOCS ao vivo durante o Mundial de Magic tradicional. Entre os participantes do MOCS alguns dos melhores jogadores do mundo, tal qual Brad Nelson, que esta como dito acima concorrendo para se tornar o Jogador do Ano de 2010.

Bem, depois de inumeras rodadas, Jabs, ficou com o título depois de ganhar de Akira Asahara por 2×1 jogando de UB, o mesmo deck que estavam na final do Mundial Tradicional. Seu oponente Akira jogava de Mono Green Eldrazi. Você pode ler (em inglês) como ocorreram os jogos neste link (2010 Magic: The Gathering World Championships – MOWC Finals: Landing on Top).

Para quem possa estar se perguntando por que nosso caro Jabs esta vestindo uma outra camiseta se não a nossa, bem, é que devido a contratos prévios com a Mtgchicago.com Romão tinha que usar a camiseta deles até o mundial. Mas a partir do ano que vem, Jabs é totalmente Let’s Collect!!

 

 

Vocês também podem conferir toda a discussão sobre o Mundial realizada na Liga Magic siga o link “[Torneio] 2010 World Championships Event Information” Lembre-se que para poder postar e responder você precisa se cadastrar!

Seção de Fotos feita pela equipe da Let’s Collect no Japão



Quer um help no MOL?

Carlos "Jabs" Romão

Olá leitores da Lets Collect.

Nos últimos dias recebemos inúmeros emails pedindo mais informações sobre o Magic Online, desde como fazer uma conta ou como o software funciona exatamente. Atendendo a esses pedidos vamos fazer um manual do Magic Online aqui no blog da Lets Collect. Tenho certeza de que todas as informações que você precisa para começar a jogar estarão aqui, bem explicadas e claras.

Antes de o Magic Online existir, todos os jogadores usavam Apprentice e Netdraft para praticar Magic via internet. Esses programas eram simples e o aspecto mais atrativo é que eram de graça. O Netdraft era o mais importante para mim, pois era muito difícil conseguir jogar um draft na vida real. Ninguém queria gastar dinheiro comprando boosters para jogar uma modalidade que dificilmente estava presente em algum tipo de torneio. O próprio nacional foi jogado por muitos anos apenas no formato T2.

O software beta do Magic Online começou a funcionar em meados do ano 2001. Você tinha que passar por um teste que selecionava os jogadores que iriam fazer parte. Praticamente todos que fizeram o teste passaram. No Beta, você tinha todas as cartas disponíveis e boosters a vontade.

A transição do Beta para o programa definitivo foi o que definiu minha carreira no jogo. Todos os jogadores ganharam um cupom no valor de onze dólares. Esse valor correspondia a três boosters de Odisseia e dois event tickets. Como ninguém tinha cards ainda, o formato mais popular era o Draft. Meu primeiro draft foi cheio de pressão, pois naquela época eu não tinha cartão de credito, tão pouco muito dinheiro para gastar com Magic. Eu tinha que ganhar o draft de Odisséia para sobreviver naquele mundo virtual. Infelizmente eu perdi o draft e tive que pedir alguns boosters emprestados a outros jogadores que eram amigos no mundo físico.  Os outros drafts correram bem e eu pude manter minha conta por muito tempo sem ter que adicionar um centavo, graças àqueles drafts iniciais.

A possibilidade de jogar draft e treinar esse formato me atraia muito. Enquanto todos estavam preocupados em montar baralhos, eu só jogava draft, vendia todas minhas cartas e focava no formato que eu acreditava ser o mais atraente de todos. O meu jogo melhorou muito e talvez coincidentemente ou não, no ano seguinte ao lançamento do Magic Online, eu me tornei campeão mundial.

Hoje em dia vemos como esse programa melhorou o jogo de muita gente. Eu tenho certeza que um dos fatores do nacional brasileiro ser mais competitivo atualmente do que cinco ou seis anos atrás é o fato do Magic Online existir e esta presente na vida dos principais jogadores mais competitivos. Eu lembro como os jogadores brasileiros não tinham noção alguma de como funcionava um draft, quais cartas eram boas ou não, ou até mesmo como draftar. No último nacional eu assisti inúmeras partidas e fiquei impressionado com o entendimento da maioria dos jogadores. Eles sabem como funciona o formato, consegue montar um deck com sinergia e entendem que cards tem prioridade sobre os outros. Vendo todas essas consequências, eu tenho que dizer que o Magic Online é um instrumento necessário para todos os jogadores que querem chegar a um nível mais alto de competividade.

O começo é a parte mais chata do Magic Online. Eu não sou “expert” em computadores, mas é visível que o programa é um pouco pesado. Com uma boa conexão de internet e um bom computador, você ira demorar três horas mais ou menos para baixar o Magic Online.

O endereço para começar no magic online é: http://www.wizards.com/Magic/Digital/ MagicOnline.aspx

 

Nessa parte do site da Wizards você encontra o link para criar sua conta e também para baixar o programa. Como eu disse o processo de baixar o Magic Online é algo lento devido ao tamanho, então se certifique que você tem tempo de sobra e que tem um bom livro em mãos enquanto passa o tempo baixando o programa.

Você precisa de um cartão de credito internacional ou uma conta no Paypal para pagar o custo de ativação do Magic Online. O valor é de nove dólares e noventa e nove centavos e você recebera sua conta, um booster de M11, dois ticket events (esses tickets são a moeda corrente dentro do Magic Online), 5 avatares e alguns cards de Magic promocionais. O processo é simples, igual qualquer outro cadastro feito na internet.

Com o programa devidamente instalado e atualizado, conta pronta e paga, você irá receber a permissão de entrar no paraíso dos jogadores de Magic. Apesar de demorar um pouco, é tudo fácil e corriqueiro.

 

Dentro do jogo você tem varias opções, desde Legacy até Drafts de diversos sets. No canto inferior esquerdo você acha todas as opções de jogo, coleção e montagem de decks.

 

Depois de criar sua conta e entrar no Magic Online, você provavelmente terá que visitar a aba “Store” onde você pode comprar boosters, deck temáticos e Event Tickets (o que é carinhosamente apelidado de “Tix” pelo jogadores do mundo). Sem poder usar dinheiro para comprar cards, o Tix virou a moeda de troca. Você está se perguntando por que existe uma moeda de troca se eu posso adquirir tudo na Store? Porque estamos no universo do Magic e mesmo no virtual temos os Dealers de cards. Eles não são nenhuma LetsCollect, mas servem muito bem para você conseguir os cards que estão faltando para o seu deck ou até mesmo boosters para o draft. Você também pode vender coisas para esses dealers e pegar os tixs para conseguir outros produtos. O mais curioso dessa história é que a maioria dos dealers está online vinte e quatro horas por dia. Como estamos falando de computadores, os dealers são virtuais também. Graças a deus algum gênio inventou um programa que comanda todas as operações de troca sem que uma pessoa precise ficar na frente do computador. Esses programas conhecidos como “Bots”são a sensação do Magic Online já faz alguns anos e eu sou um cliente assíduo deles.

Depois de conseguir seus cards, você provavelmente quer montar um deck e jogar. Como tudo dentro desse programa, isso é fácil. Na aba Deck Editor você encontra todos os seus cards e pode selecionar-los para montar o deck. Como eu disse, o processo é simples, com o botão direito você consegue opções que irão facilitar sua vida na montagem. Esse clique abre cinco opções como pode ser visto na próxima imagem:

 

Como todo bom jogador de Magic tem seu fichário para guardar ou colocar seus cards para troca, no Magic Online é a mesma coisa. A seção Collection é o seu fichário. Todos os cards que você possui estão disponíveis para visualização e na opção “For trade” você pode colocar seus cards para troca. Só os cards selecionados irão aparecer para a outra pessoa que você estiver trocando. A organização é maravilhosa, está tudo dividido por coleção e os filtros na parte superior deixam a procura muito mais fácil e rápida. Se você quiser visualizar cards mais antigos que ainda não estão disponíveis no Magic Online, simplesmente coloque >= na opção owned e depois selecione “Show non-mtgo cards”.

 

Com sua coleção arrumada, com seu deck montado, você deve estar louco para começar a jogar.  Ao clicar na aba menu, varias opções vão aparecer  e entre elas está o oásis para todos nós: Tournaments. Dentro do tournaments temos cinco salas. Na sala Premier Events estão os maiores e mais importantes torneios do Magic Online. É nessa sala que ocorrem os PTQs que se tornaram os maiores torneios de magic online da história. Daily events são torneios diários com horário para começar. Você encontra torneios legacy, selados, standard e extended e o formato de disputa é composto por quatro rodadas sem corte para uma segunda fase. Quem faz doze pontos ganha doze boosters e quem faz nove pontos ganha seis boosters. Nas salas 8-player Draft e Constructed estão os campeonatos que não tem hora para começar. Assim como os paralelos que acontecem em GPs, os torneios começam quando oito jogadores se registram. Esses são os torneios mais rápidos do Magic Online, não demorando mais do que duas horas para terminar. A ultima sala é a Sealed Swiss Queues. Aqui você encontra torneios selados que começam quando dezesseis jogadores se inscrevem e o formato de disputa é igual ao dos Daily events.  São quatro rodadas e os jogadores ganham prêmios de acordo com suas pontuações.

 

Entre todas as outras opções da aba menu, a mais importante para todos os jogadores de Magic Online é a Classifieds. É nesse lugar que você vai encontrar os anúncios dos cards que procura, assim como os boosters e o número de Tix que estão pagando pelo seu material entre outras informações de troca. Com muita paciência e percepção, você pode conseguir fazer bons negócios e aumentar sua coleção sem jogar. Como você pode ver, existe um domínio dos bots nas negociações do magic online. Faça uma pesquisa antes de qualquer troca pois existem bots que lhe dão mais vantagens do que os outros.

Settings é a opção que deixara você fazer o magic online ficar com a sua cara. O programa tem alguns sons que podem ser ligados ou não, você pode gerenciar as funções do Magic Online durante o jogo, mudar o desenho da sua área de jogo, entre outras opções que deixam seu programa mais agradável.

Na parte Help fica o setor onde você pode pedir ajuda caso algum problema aconteça durante o seu jogo. Qualquer duvida pode ser esclarecida com os “ORCs”, que são funcionários da Wizards que tem acesso a maioria das soluções possíveis no Magic Online. Alguns problemas estão fora da alçada dos ORCs e nesse caso você tem que recorrer ao pessoal especializado via email.

O programa é muito fácil de ser utilizado. Hoje em dia vários brasileiros estão fazendo sucesso no mundo virtual, virando celebridades do mundo do Magic e criando tendências. Com essas dicas, você pode se tornar um desses jogadores ou pode simplesmente jogar um pouco e se divertir tanto quanto na vida real. A letscollect espera ter ajudado um pouco as pessoas que tem a curiosidade de começar a usar esse programa e as vezes não sabem ao certo por onde começar. Desejamos a todos muita sorte. Qualquer outra duvida, por favor não hesitem em perguntar.  Por aqui ou pelo e-mail atendimento@letscollect.com.br.


Concurso “História no Twitter” e um mini colunista!

Bem, hoje vamos postar duas partes, a primeira é uma promoção/concurso no nosso Twitter, diretamente para quem curte a história do Magic. E  a outra parte é na realidade um comentário do post do Carlos “Jabs” Romão sobre uma lista UW que ele analisou feito pelo Gabriel “Safekeeper“ que de tão bacana resolvemos dar um up-grade transformando-o em um artigo. Dessa maneira os comentário que ele fez serão excluidos.

 

Comecemos pelo Concurso!

 

Galera, olá a todos. Depois de uma temporada de seca , estamos agora retomando nossas atividades no blog e no twitter com maior freqüência. E com isso, assim como toda a empresa que usa essas ferramentas para se comunicar com os clientes, a Let’s buscou alguma forma de interação bacana juntamente com uma dose diversão para o pessoal que curte viajar nas histórias por trás das coleções de Magic. Por isso vamos fazer uma meio promoção, meio entretenimento para quem nos segue no twitter e possa também quem sabe aprender um pouco de história antiga?

Se você lê as histórias de como cada plano no Magic é ou como a coleção foi criada você tem mais chances de se dar bem.

Para participar é bem simples e não tem que pagar nada:

Primeiramente você deve começar a nos seguir no twitter e depois mandar um twitt para a @letscollect contando em menos de 140 caracteres a história resumida da coleção de Magic da semana escolhida por nossa equipe.

A cada semana teremos um vencedor, dentre todos os que nos enviaram twitts. Você tem até as 23:59 da sexta feira daquela semana para nos enviar o seu “resumo de 140” da coleção anunciada na segunda feira de manha.  Também será colocado em nosso blog “www.letscollect.wordpress.com”  o nome da coleção, um link para os sites com informações sobre aquela coleção para que quem não esteja familiarizado com ela possa aprender um pouco da história do Magic.

No final da semana a equipe da Let’s escolhera os melhores para postar no blog e anunciara o vencedor.

E o que você ganha com isso? Que tal um booster da coleção mais recente de Magic?

É, assim fácil, basta mandar um twitt e você já estará participando. E o mais legal é que você pode enviar quantos twittes quiser, com diversas variações. O mais importante mesmo é a criatividade.

Siga-nos e confiram @letscollect

 

E agora o comentário que recebeu um up-grade de artigo!

(comentário ao artigo ‘Controle sua vida” originalmente postado em 07 de novembro de 2010)

 

Ótimo Artigo Jaba,

Eu tenho testado o UW a muito tempo no mol (nofxdarkside2 meu nick) testei várias versões diferentes e tenho tido ótimos resultados com o deck, fiz alguns top 8 em premier e ganhei alguns daily, minha lista tem [como] alicerce a [Eslpeth] Tirel também, por isso que resolvi escrever um pouco e compartilhar algo sobre a minha lista.

Quando o Kyle Sanchez ganhou o TCG Austin WWS, o MOL simplesmente recebeu uma chuva de UW´s que estavam praticamente mortos, basicamente todos que estavam nas plataformas UB e RUG passaram a jogar de UW.

Sendo assim, adaptei minha lista e passei a jogar de Luminarch Ascencion main deck. É um card morto contra os aggros WW, Mono Red, Mono red de artefatos, Vampires etc. Mas o UW não tem grandes problemas para dominar esses decks, fora isto, consigo jogar ele no topo com a Jace e estourar um fetch land para joga-lo novamente ao baralho. No entanto, é um card que faz total diferença contra UW, UB, Valakuts, Eldrazis e em certas ocasiões o RUG também.

Não jogo de Wall of Omens pois acho que é um card que ficou deslocado do ambiente atual, primeiro que há muitos controls no ambiente e segundo que ela só é efetiva realmente contra mono reds e RW´s,  já contra WW, vampires etc ela não é tão eficaz.  (Jogo de preordain no lugar, pois ajuda a evitar um screw ou puxa algo que você esteja realmente precisando)

2x Jace Beleren considero pouco, pois pelo que observo nos mirrors é uma verdadeira guerra para encaixar Jace´s e normalmente quem o faz acaba levando o game. Fora que é um ótimo card tanto contra controls dando card advantage e contra aggros vira um target prevenindo dano.

Do seu side eu não usaria o Leonin Arbiter por se tratar de um card muito especifico contra o valakut, fora isto, percebo que os valakuts não removem os Lightning Bolt no jogo 2 e no jogo 3, sendo assim estaríamos queimando 4 slots específicos para um card que pode acabar não ajudando em nada entrando e tomando um bolt.

Assim como o Kyle Sanchez, utilizo 4 leylines brancos no lugar, pois combinado a Tirel e Jace Mindsculptor torna-se completamente apelão, normalmente os mono reds, RW, Vampires e o próprio Valakut sofrem muito com essa combinação, principalmente os aggros que não conseguem remover o leyline e ficam com muitas “cartas mortas” na mão.
Se pensar bem o Vampires é o que mais sofre pois perde duress, memoricide, inquisiton of kozilek (se usar), gateekeper não faz [força]sacrificar mais nada, mind sludge aos que ainda usam também não tem efeito. Você passa a jogar contra ele sem preocupações, cai uma Tirel e você acaba dominando o jogo .

Caso tenha interesse em ver minha list e discutirmos melhor mande-me um e-mail.

(o e-mail foi suprimido por nossa equipe)

OBS: Gostei do site, seria interessante ver mais artigos, para termos um ambiente de discussão legal, assim como os gringos (brainburst, channelfireball) fazem.

Outro detalhe importante é que 2 tectonics são pouco também.

Na minha lista eu jogo com 4, ai o Conley Woods postou um artigo na brainburst comentando sobre removals do UW e UB e uma das observações dele é que as listas necessitariam de 4 tectonics, 2 dias depois o Kyle Sanchez ganhou o TCG usando 4.

É muito importante contra os ravines (RUG) , tar pit, colonnade e valakuts.

OBS: Gostei do site, seria interessante ver mais artigos, para termos um ambiente de discussão legal, assim como os gringos (brainburst, channelfireball) fazem.

Abraços,
Gabriel “Safekeeper”